Enganei-me
Enganei-me, enganei-me – paciência!
Acreditei nas vozes, cri, Ormia
Que a tua singeleza igualaria
À tua mais que angélica aparência
Enganei-me, enganei-me – paciência!
Ao menos conheci que não devia
Pôr nas mãos de uma externa galhardia
O prazer, o sossego e a inocência
Enganei-me, cruel, com teu semblante
E nada me admiro de faltares
Que esse teu sexo nunca foi constante
Mas tu perdeste mais em me enganares
Que tu não acharás um firme amante
E eu posso de traidoras ter milhares
Me engañé
Me engañé, me engañé - paciencia!
Creí en las voces, cri, Ormia
Que tu sencillez igualaría
A tu más que angelical apariencia
Me engañé, me engañé - paciencia!
Al menos supe que no debía
Poner en manos de una externa galantería
El placer, el sosiego y la inocencia
Me engañé, cruel, con tu semblante
Y no me sorprende que falles
Pues ese tu sexo nunca fue constante
Pero perdiste más al engañarme
Que no encontrarás un amante firme
Y yo puedo tener mil traidoras
Escrita por: Tomaz Antonio Gonzaga / milton sica