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De dónde viene la nostalgia

Miro Saldanha

De Onde Vem a Saudade

Eu tenho, nos olhos, a imagem do gado
E o rosto marcado da poeira do chão
O braço curtido do cabo do arado
E o laço tatuado na palma da mão
Eu tenho motivos, de campo e cavalo
Que eu penso e não falo, pra não contrariar
Mas, pra que o meu filho não herde os meus calos
Caí nesse pealo, pra vê-lo estudar

Os muros e grades nos deram abrigo
Se é prêmio ou castigo só o tempo dirá
Mas esta saudade que mora comigo
É de lá!
Vem de lá!
Mastigo o silêncio das minhas verdades
Que outras verdades trouxeram pra cá
Porém o motivo da minha saudade
É de lá!
Vem de lá!

Eu tenho saudade dos medos antigos
Dos velhos perigos que o tempo revoga
Aqui basta um filho sair com amigos
E eu quieto maldigo esse medo das drogas
A mãe ouve a moto e se vai do meu lado
Num passo apressado dizendo ter sede
Da cama eu avisto seu vulto ajoelhado
Com os olhos pregados na cruz da parede

Os muros e grades nos deram abrigo
Se é prêmio ou castigo só o tempo dirá
Mas esta saudade que mora comigo
É de lá!
Vem de lá!
Mastigo o silêncio das minhas verdades
Que outras verdades trouxeram pra cá
Porém o motivo da minha saudade
É de lá!
Vem de lá!

De dónde viene la nostalgia

Tengo, en mis ojos, la imagen del ganado
Y el rostro marcado por el polvo del suelo
El brazo curtido del mango del arado
Y el lazo tatuado en la palma de la mano
Tengo motivos, de campo y caballo
Que pienso y no digo, para no contradecir
Pero, para que mi hijo no herede mis callos
Caí en este aprieto, para verlo estudiar

Los muros y rejas nos dieron refugio
Si es premio o castigo solo el tiempo lo dirá
Pero esta nostalgia que vive conmigo
¡Es de allá!
Viene de allá!
Mascullo el silencio de mis verdades
Que otras verdades trajeron hasta acá
Pero el motivo de mi nostalgia
¡Es de allá!
Viene de allá!

Tengo nostalgia de los miedos antiguos
De los viejos peligros que el tiempo revoca
Aquí basta que un hijo salga con amigos
Y yo en silencio maldigo ese miedo a las drogas
La madre escucha la moto y se va a mi lado
Con paso apresurado diciendo tener sed
Desde la cama veo su figura arrodillada
Con los ojos clavados en la cruz de la pared

Los muros y rejas nos dieron refugio
Si es premio o castigo solo el tiempo lo dirá
Pero esta nostalgia que vive conmigo
¡Es de allá!
Viene de allá!
Mascullo el silencio de mis verdades
Que otras verdades trajeron hasta acá
Pero el motivo de mi nostalgia
¡Es de allá!
Viene de allá!

Escrita por: Miro Saldanha