Cirurgião da Natureza
Estes meus calos são anéis de formatura
Eu estudei na faculdade do sertão
Hoje é a enxada, meu termômetro que marca
Com meu suor a temperatura do chão
Eu sei a hora do plantio e da colheita
Sei que o feijão para dar mais é bom plantar
Na lua nova e se o milho for colhido
Na lua cheia é capaz de carunchar
Deita sertão
Vou examinar tua grandeza
Porque eu sou
O cirurgião da natureza
Sei que é preciso arruar o cafezal
Para poder aproveitar melhor os grãos
Após a chuva é que se faz a derriçagem
Antes da panha é que se faz a varrição
Sei que é preciso se fazer curva de nível
Pra que a enxurrada não provoque a erosão
Para ajudar quem atrasou-se na colheita
A vizinhança se reúne em mutirão
Sei que depois de toda mata derrubada
Só é queimada quando o cipoal secar
Depois do fogo é que se faz a estocagem
E o arado vem a terra destocar
Sei que o café carrega mais se for tirado
Todos os brotos que em seu tronco se arrodeiam
Tem que tirar do algodoeiro suas pontas
Pra que suas saias de maçãs fiquem bem cheias
Cirujano de la Naturaleza
Estos callos míos son anillos de graduación
Estudié en la universidad del campo
Hoy la azada es mi termómetro que marca
Con mi sudor la temperatura del suelo
Sé la hora de siembra y cosecha
Sé que es bueno plantar frijoles para que den más
En luna nueva y si se cosecha maíz
En luna llena es probable que se malogre
Descansa campo
Voy a examinar tu grandeza
Porque yo soy
El cirujano de la naturaleza
Sé que es necesario surcar el cafetal
Para aprovechar mejor los granos
Después de la lluvia se hace el deshoje
Antes de la cosecha se hace la limpieza
Sé que es necesario hacer curvas de nivel
Para evitar la erosión por la corriente
Para ayudar a quienes se atrasaron en la cosecha
Los vecinos se reúnen en cooperativa
Sé que después de talar todo el bosque
Solo se quema cuando la maleza seca
Después del fuego se hace el almacenamiento
Y el arado viene a despejar la tierra
Sé que el café rinde más si se quitan
Todos los brotes que rodean su tronco
Hay que quitar las puntas del algodonero
Para que sus cápsulas estén bien llenas
Escrita por: Jose Fortuna / Paraíso