395px

Sartre de Banda

Mônica Montone

Sartre de Banda

Peço licença a todos os santos e entrego minhas guias como oferta e prelúdio de minha vida
Vamos abrir gentilmente a nossa gira para receber com flores e muitos lírios
Mamãe Oxum e mamãe Iemanjá
Êê / Nanã
Vamos abrir gentilmente a nossa gira, para que Xangô venha nos abençoar
Oxalá, obatalá, Obaluaê
Iansã, mãe dos ventos /
Ogum
Vamos abrir gentilmente a nossa gira para que os marinheiros
Nos tragam enrolados em suas redes poetas-peixes e suas metonímias
Cavalos marinhos e rodamoinhos
Vamos abrir gentilmente a nossa gira
para que os ciganos nos tragam pepitas de ouro
Para que os pretos-velhos abram os nossos olhos com a fumaça de seus cachimbos
Vamos abrir gentilmente a nossa gira
Para que a voz dos povos se manifeste como a melodia dos botos aos ouvidos moucos

Vamos abrir gentilmente a nossa gira
Para todos os amores e todos os mares

Vamos abrir gentilmente a nossa gira
Para que a vida nunca nos desampare

Lá vem Manuel Bandeira trazendo os cordéis
Lá vem Jorge de Lima com seus livros e papéis
Oscar Wilde, Fernando Pessoa, Caymmi, Bob Dylan
Bob Marley numa boa

Sartre de banda / Sartre de banda
Sartre de banda / Sartre de banda

Manoel de Barros, Mario Quintana
Na festa da burrinha, a mãe d'água é Madonna
Gilka Machado, Cecília Meireles,
Mônica Montone e seu casaco de peles.
Não vem com essa conversa, poeta atrevido
Casaco de peles é coisa de bandido

Sartre de banda, Sartre de banda

Mário de Andrade, Oswald de Andrade
Eugénio de Andrade, Drummond de Andrade
Florisvaldo Matos, Gregório de Matos,
Glauco Matoso, Caetano Veloso
Meu caro Lêdo Ivo, meu bom César Leal,
A dor de todo homem é não ser natural
Galinho de Quintino, Didi e Mané
Ronaldo, Ronaldinho, Romário e Pelé

Sartre de banda, Sartre de banda

Vamos fechar a nossa gira
E agradecer gentilmente a todos os santos e guias por sua proteção
Vamos fechar a nossa gira
E agradecer gentilmente
A todos os poetas por sua poesia

Sartre de Banda

Peço permiso a todos los santos y entrego mis guías como ofrenda y preludio de mi vida
Vamos a abrir amablemente nuestra gira para recibir con flores y muchos lirios
Mamá Oxum y mamá Iemanjá
Êê / Nanã
Vamos a abrir amablemente nuestra gira, para que Xangô venga a bendecirnos
Oxalá, Obatalá, Obaluaê
Iansã, madre de los vientos /
Ogum
Vamos a abrir amablemente nuestra gira para que los marineros
Nos traigan enrollados en sus redes poetas-peces y sus metonimias
Caballitos de mar y remolinos
Vamos a abrir amablemente nuestra gira
para que los gitanos nos traigan pepitas de oro
Para que los pretos-velhos nos abran los ojos con el humo de sus pipas
Vamos a abrir amablemente nuestra gira
Para que la voz de los pueblos se manifieste como la melodía de los delfines a los oídos sordos

Vamos a abrir amablemente nuestra gira
Para todos los amores y todos los mares

Vamos a abrir amablemente nuestra gira
Para que la vida nunca nos abandone

Ahí viene Manuel Bandeira trayendo los cordones
Ahí viene Jorge de Lima con sus libros y papeles
Oscar Wilde, Fernando Pessoa, Caymmi, Bob Dylan
Bob Marley en buena onda

Sartre de banda / Sartre de banda
Sartre de banda / Sartre de banda

Manoel de Barros, Mario Quintana
En la fiesta del burrito, la madre del agua es Madonna
Gilka Machado, Cecília Meireles,
Mónica Montone y su abrigo de pieles.
No vengas con esa charla, poeta atrevido
Abrigo de pieles es cosa de bandido

Sartre de banda, Sartre de banda

Mário de Andrade, Oswald de Andrade
Eugénio de Andrade, Drummond de Andrade
Florisvaldo Matos, Gregório de Matos,
Glauco Matoso, Caetano Veloso
Mi querido Lêdo Ivo, mi buen César Leal,
El dolor de todo hombre es no ser natural
Galinho de Quintino, Didi y Mané
Ronaldo, Ronaldinho, Romário y Pelé

Sartre de banda, Sartre de banda

Vamos a cerrar nuestra gira
Y agradecer amablemente a todos los santos y guías por su protección
Vamos a cerrar nuestra gira
Y agradecer amablemente
A todos los poetas por su poesía

Escrita por: Claufe Rodrigues / Mônica Montone