Coração de Porco
Eu não nadava me sentindo bem
Fui num consultório medir a pressão
O doutor me disse que eu estava mal
Que um transplante era a solução
E ao transplantar o meu intestino
Se trcar também o meu coração
Órgão de poço iam me botar
Por não ter ninguém para me doar
Foi aquele porco minha salavação.
Depois que eu fiz o transplante
Perante os outros eu sou diferente
Mais minha vida tem sido um sufoco
Eu estaou vendo que vou ficar louco
Com a metade porco e a metade gente.
Por causa disso eu não quis me casar
Mais me amiguei com uma pessoa
Nasceu um filho e jê me deu problema
Tanto pra mim, como a minha patroa.
Pois numa noite fria de inverno
Fazia vento e caia garoa
Ouvi um barulho e já corri ligeiro
Foi o meu filho já pulou o chiqueiro
E tava correndo atrás das leitoas.
Minha mulher se mandou embora
Me disse que eu tava rondando e encerra
Doutor eu quero meus órgãos de volta
Nem que eu preciso fazer uma guerra.
Órgão de bicho é só pra gente fina
Mas não é pra esse grosso do oco da serra
Pra todos os santos eu faço um apelo
Não vou viver comendo farelo
Rolando no barro fuçando na terra.
Corazón de Cerdo
No me sentía bien nadando
Fui a un consultorio a medir la presión
El doctor me dijo que estaba mal
Que un trasplante era la solución
Y al trasplantar mi intestino
También cambiaron mi corazón
Órganos de pozo me iban a poner
Por no tener a nadie que me done
Ese cerdo fue mi salvación.
Después de hacer el trasplante
Ante los demás soy diferente
Pero mi vida ha sido un calvario
Veo que me volveré loco
Con la mitad de cerdo y la mitad de humano.
Por eso no quise casarme
Pero me hice amigo de alguien
Nació un hijo y me dio problemas
Tanto para mí como para mi esposa.
Porque en una fría noche de invierno
Soplaba el viento y caía llovizna
Escuché un ruido y corrí rápido
Era mi hijo que saltó al chiquero
Y estaba persiguiendo a las cerdas.
Mi mujer se fue
Me dijo que estaba rondando y terminó
Doctor, quiero mis órganos de vuelta
Aunque tenga que hacer una guerra
Los órganos de animal son para la gente fina
Pero no para este bruto del oco de la sierra
A todos los santos les hago un ruego
No viviré comiendo migajas
Revolcándome en el barro hurgando en la tierra.