A Nêga da Gafieira
Em Cascadura, numa gafieira
Tem uma nêga que me admira
Até eu mesmo fico admirado
Quando a orquestra toca nêga me tira
Vamos dançar Morengueira?
É claro, naturalmente
Chora, ó samba de breque
A nêga sai logo se sacudindo
Quando termina a velha contradança
Estou com o corpo cansado e os ossos bulindo
Mas o culpado é o seu Oscar
Que a enganou que ela sabia dançar
Para se meter assim no meio de nosotros
Fazendo palhaçada e dando o que falar
Mas eu não estou aqui pra isso
Não vim ao baile para me cansar
Pois o meu corpo é muito franzino
E dançando dessa maneira vou me acabar
Se eu gostasse de matar o meu corpo
Procuraria um trabalho pesado
Metia o peito lá no cais do porto
Ou então uma pedreira ou mesmo no roçado
E até mesmo a questão do namoro
Aconselhei a não pensar em asneira
Porque pra hoje eu tenho uma muito boa
Pra amanhã e pra depois está na geladeira
La Negra de la Gafieira
En Cascadura, en una gafieira
Hay una negra que me admira
Hasta yo mismo quedo sorprendido
Cuando la orquesta toca, la negra me saca
¿Vamos a bailar Morengueira?
Claro, naturalmente
Llora, oh samba de breque
La negra se mueve enseguida
Cuando termina la vieja contradanza
Estoy con el cuerpo cansado y los huesos doliendo
Pero el culpable es su Oscar
Que la engañó, que ella sabía bailar
Para meterse así entre nosotros
Haciendo payasadas y dando de qué hablar
Pero no estoy aquí para eso
No vine al baile para cansarme
Porque mi cuerpo es muy frágil
Y bailando así me voy a acabar
Si me gustara matar mi cuerpo
Buscaría un trabajo pesado
Me metería al puerto a cargar
O en una cantera o en el cultivo
Y hasta en lo que respecta al amor
Le aconsejé que no pensara en tonterías
Porque para hoy tengo una muy buena
Para mañana y para después está en la nevera
Escrita por: Moreira da Silva, Joao Correia de Faria