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Soy Chofer

Moreira da Silva

Sou Motorista

Sou motorista do Rio de Janeiro
Ando seco por dinheiro
Mas trabalho pra chuchu
Para defende-lo do Racu

Estaciono perto de Copacabana
Meu carro é bacana
Só conhece a zona sul

E de vez em quando aparece uma dona
Que me pede uma carona
E me deixa de sinuca

A gasolina está com tudo
E não está prosa
Vai queimando e vou pensando
Essa mulher está maluca!

É uma tragédia, seu moço
Vai ser uma pendura na dururuca
Olha, gentilmente
Mete uma 1ª, uma 2ª, uma 3ª
E vamos para a lagoa

Estou com pressa, diz a dona para mim
Vamos lá para a lagoa
Tenho encontro marcada

Eu avanço o sinal que está vermelho
Mas preparo um bom coelho
Pois na certa fui multado

E quando volto para o ponto vejo o guarda
Que riscou no seu caderno a velha multa do costume
Meto a conversa: Sou daqui, não sou da roça
Ele manja minha bossa e me chama de vaga-lume

Aí eu digo-lhe
Não, seu guarda, não sou vaga-lume
Apaguei a lanterna porque a bateria está fraca
E estou com pressa
Seu guarda, segura a conversa, vai por mim
Que eu estou com a Carolina, seu guarda
Sabe lá o que é isso, vem de boca pedindo pão
Olha seu guarda, segura o coelho e vai por mim
Mais vale um amigo que um inimigo
Há sempre a hora do perigo

O velho guarda que não está de prevenção
Deu-me logo seu perdão
Dispensou o meu dinheiro
Voltei ao ponto meio zonzo, meio tonto
Tenho orgulho em ser da praça do meu Rio de Janeiro

Buzina um pouquinho!
Vou fazer uma oração para Cosme Velho

Soy Chofer

Soy chofer de Río de Janeiro
Voy seco por dinero
Pero trabajo un montón
Para defenderlo del Racu

Estaciono cerca de Copacabana
Mi carro está chido
Solo conozco la zona sur

Y de vez en cuando aparece una señora
Que me pide un aventón
Y me deja en aprietos

La gasolina está por las nubes
Y no está de broma
Se va quemando y voy pensando
¡Esta mujer está loca!

Es una tragedia, amigo
Va a ser un gasto en la cartera
Mira, amablemente
Pone una 1ª, una 2ª, una 3ª
Y vamos a la laguna

Tengo prisa, me dice la señora
Vamos a la laguna
Tengo una cita marcada

Yo me paso el semáforo en rojo
Pero preparo un buen truco
Porque seguro me multaron

Y cuando regreso al punto veo al guardia
Que anotó en su cuaderno la multa de siempre
Empiezo a hablar: Soy de aquí, no soy del campo
Él conoce mi estilo y me llama luciérnaga

Entonces le digo
No, señor guardia, no soy luciérnaga
Apagué la linterna porque la batería está baja
Y tengo prisa
Señor guardia, olvídate de la charla, hazme el favor
Que estoy con Carolina, señor guardia
Sabes lo que es eso, viene pidiendo pan
Mira, señor guardia, aguanta el truco y hazme el favor
Más vale un amigo que un enemigo
Siempre hay hora de peligro

El viejo guardia que no está en guardia
Me dio su perdón
Desestimó mi dinero
Regresé al punto medio aturdido, medio mareado
Tengo orgullo de ser de la plaza de mi Río de Janeiro

¡Toca la bocina un poquito!
Voy a hacer una oración por Cosme Velho

Escrita por: Altamiro Carrilho, Átila Nunes