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Barriga D'água

Mucambo

Barriga D'água

Oi menino buchudo d’água barrenta
Deixe essa lata de lado e se arrebenta
E a chinela a açoitar, ói! Na sombra se vê é calango
Sem perder o compasso, no carrasco tão pouco se vê!

É a batida do bucho a espera do que saciar
É a batida do bucho a espera do que saciar
É a batida do bucho a espera do que saciar

Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Espoleta na agulha, eu cai na caatinga
Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Espoleta na agulha, a volante espreitou
Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Arma branca na mão da barriga a roer

Ao cuspir nesta prece sem merce se vê Lampião
E a luz que o mesmo remete tão longe se vê
É bandido, é mocinho, olha a sombra que nele se fez
Não é pai, não é mãe, é a tormenta a bater e a coronha a roer

Não é pai, não é mãe, é a coronha a bater
Não é pai, não é mãe, é a tormenta a roer

Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Espoleta na agulha, eu cai na caatinga
Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Espoleta na agulha, a volante espreitou
Olha a cabra! Olha é cega! Olha eu pago para ver
Arma branca na mão da barriga a roer

Ói fumaça! Olha é fogo e a desgraça no passo a chegar
Sem bater na sua porta o menino buchudo bradou
E o seu o filho sem dente sorrindo tão pouco se vê
Pois barriga vazia a quem queira mudar, a quem queira lutar

O homem é feito criança, o passado também
O homem é feito criança, o passado também
O homem é feito criança, o passado também

Barriga D'água

Hola chico barrigón de agua turbia
Deja ese tarro de lado y explota
Y la chancla azotando, ¡mira! En la sombra solo se ve lagartija
Sin perder el compás, en el verdugo apenas se ve!

Es el golpe del estómago esperando saciarse
Es el golpe del estómago esperando saciarse
Es el golpe del estómago esperando saciarse

¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Detonador en la aguja, caí en la caatinga
¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Detonador en la aguja, la volante acechó
¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Arma blanca en la mano del estómago royendo

Al escupir en esta plegaria sin piedad se ve a Lampião
Y la luz que él mismo envía se ve tan lejos
Es bandido, es héroe, mira la sombra que en él se formó
No es padre, no es madre, es la tormenta golpeando y la culata royendo

No es padre, no es madre, es la culata golpeando
No es padre, no es madre, es la tormenta royendo

¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Detonador en la aguja, caí en la caatinga
¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Detonador en la aguja, la volante acechó
¡Mira la cabra! ¡Mira, está ciega! Pago por ver
Arma blanca en la mano del estómago royendo

¡Mira el humo! Mira, es fuego y la desgracia acercándose
Sin golpear a tu puerta, el chico barrigón gritó
Y su hijo sin dientes sonriendo apenas se ve
Pues barriga vacía a quien quiera cambiar, a quien quiera luchar

El hombre se vuelve niño, el pasado también
El hombre se vuelve niño, el pasado también
El hombre se vuelve niño, el pasado también

Escrita por: Helbert Santana; Junior Figueiredo