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Mineiro de Pernambuco

Murilo Limma

Mineiro de Pernambuco

No ano de 2002, com apenas 22
Pra minha mainha eu disse, vou embora, me abençoe
Arrumei as minhas malas e no ônibus a chorar
Deixei minha terra linda, lá não podia ficar
Então mudei pra cidade, Uberaba, Minas Gerais
Uma faca de dois gumes, minha vida pedia paz

Em Pernambuco eu nasci, cresci e me criei
Em Minas cheguei bem jovem, foi aqui que me formei
Minha mãe sempre me liga, desnaturado diz que sou
Por que ligo tão pouco pro seio que me gerou?
Pernambucano nato, mineiro de coração
Mineiro de Pernambuco, apelido e gozação
De minha terra me orgulho, lindas praias, muito sol
O grande estado do frevo, no país do futebol
O povo é muito engraçado, muito bravo e feliz
Ligeiro e arrastado fala, mas bem sabe o que diz
Terra de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Alceu
Lenine, Cordel e Rossi, grandes talentos do meu Brasil

De lá o forró me encanta, de cá sou fã do trem bão
Lá bomba a festa junina e aqui rola um quentão
Lá tem xaxado e baião, ôxe, ôxe e oxente
Aqui é trem, sô e uai e o pão de queijo é bão demais
Ô saudade da minha terra, Chã Grande, meu sertão
Gravatá de onde sou fruto, meus amigos, meus irmãos

Aqui eu falo caipira, sou amado e sou amor
Canto moda de viola, sou cantor e professor
Conquistei grandes amigos, muitos filhos e irmãos
Alguns pais e outras mães, sorte do meu coração
E é por isso que eu digo, sou de lá e sou de cá
Sou de quem me acolher, eu sou de qualquer lugar

Moço saiba que estou bem, daqui eu não saio não
Já acostumei com moto, com carro e avião
Os meus pés estão cansados, o jumento é devagar
Gosto de vida agitada, o trem bala é de matar
Amo muito meu nordeste e amo a terra do Zebu
Pernambuco, Minas Gerais, eu não te esqueço jamais!

Mineiro de Pernambuco

En el año 2002, con tan solo 22
Le dije a mi madre, me voy, bendíceme
Empaqué mis maletas y llorando en el autobús
Dejé mi hermosa tierra, no podía quedarme allí
Así que me mudé a la ciudad, Uberaba, Minas Gerais
Una situación de doble filo, mi vida pedía paz

En Pernambuco nací, crecí y me crié
En Minas llegué muy joven, aquí me formé
Mi madre siempre me llama, me dice que soy un desagradecido
¿Por qué me importa tan poco la tierra que me dio vida?
Pernambucano de nacimiento, minero de corazón
Mineiro de Pernambuco, apodo y burla
Orgulloso de mi tierra, hermosas playas, mucho sol
El gran estado del frevo, en el país del fútbol
La gente es muy divertida, muy enojada y feliz
Habla rápido y arrastrado, pero sabe bien lo que dice
Tierra de Luiz Gonzaga, Dominguinhos y Alceu
Lenine, Cordel y Rossi, grandes talentos de mi Brasil

El forró me encanta allá, pero soy fan del buen tren acá
Allá explota la fiesta junina y acá se toma un quentão
Allá hay xaxado y baião, ôxe, ôxe y oxente
Acá es trem, sô y uai y el pan de queso es buenísimo
Oh, la nostalgia de mi tierra, Chã Grande, mi sertón
Gravatá de donde provengo, mis amigos, mis hermanos

Acá hablo como un campesino, soy amado y amoroso
Canto música de viola, soy cantante y profesor
He ganado grandes amigos, muchos hijos y hermanos
Algunos padres y otras madres, suerte de mi corazón
Y por eso digo, soy de allá y soy de acá
Soy de quien me acoge, soy de cualquier lugar

Joven, sé que estoy bien, no me voy de aquí
Ya me acostumbré a la moto, al coche y al avión
Mis pies están cansados, el burro va despacio
Me gusta la vida agitada, el tren bala es increíble
Amo mucho mi noreste y amo la tierra del Zebu
¡Pernambuco, Minas Gerais, nunca los olvidaré!

Escrita por: Murilo Limma