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Rosa Amorosa

Naeno Rocha

Rosa Amorosa

Que o vento não maltrate
Os galhos verdes-musgos
Onde fostes gerada.
Não se modifique, impresso nas paredes,
O rosto dos teus altares.
Nenhuma nota de tuas canções,
Aí no teu peito.
Que não soprem os ventos
Sobre o fundo dos teus passos nas areias
E que não se desfaça o sono dos teus cabelos.
Que o vento não turve o teu lago translúcido,
Velhas imagens sem fim mostrando-se.
Que não se transfigure nenhum arvoredo
Nem as cores de nenhuma casa,
Nem os teus sonhos de deus e dos altos.
Calçadas, ruas - redutos escusas de vultos e ecos.
Formosa,
Que a te protegerem fiquem os ventos de asas quietas
E um silêncio de paz azul.
Seja uma encosta límpida que te guarde,
E de onde eu te contemple,
De um doce amor,
Só de ternura comovido.
Formosa, sejas sempre flor,
Eternamente.

Rosa Amorosa

Que el viento no maltrate
Las ramas verdes musgosas
Donde fuiste engendrada.
Que no se modifique, impreso en las paredes,
El rostro de tus altares.
Ninguna nota de tus canciones,
Ahí en tu pecho.
Que no soplen los vientos
Sobre el fondo de tus pasos en las arenas
Y que no se deshaga el sueño de tus cabellos.
Que el viento no enturbie tu lago translúcido,
Viejas imágenes sin fin mostrándose.
Que no se transfigure ningún arbolado
Ni los colores de ninguna casa,
Ni tus sueños de dios y de los altos.
Veredas, calles - refugios ocultos de figuras y ecos.
Hermosa,
Que te protejan los vientos de alas quietas
Y un silencio de paz azul.
Que sea una ladera límpida que te guarde,
Y desde donde yo te contemple,
Con un dulce amor,
Solo de ternura conmovido.
Hermosa, sé siempre flor,
Eternamente.

Escrita por: Naeno Rocha