Curto
O que me faz contar em versos
Ser este prospecto que ninguém ler todo,
É uma pressa que conta a minha alma, em desassossego
É medo de perder-me enquanto me alongo,
Fazendo um simples ponto curvar-se em circunferência.
É um temor cruel de que ninguém me entenda,
Mesmo que não estenda ao que quero dizer,
E disso mais, sendo uma sinopse
Escrita, me utilizando do que de bom aflora.
Agora mesmo não saberia contar,
Que estes versos são escorridos dos dedos,
Que a maravilha perdeu-se com ele,
Pro fundo foi, na areia se escondeu.
Eu escrevo coisas curtas, mas que não são breves,
E elas se alteram conforme anda o mundo,
Nesta marcha lenta, que a todos engana,
E mais faz motivos, e mais guarda lembranças.
Quando escrevo torno na margem da direita,
Não é temendo um louco desgovernado, vesgo
Que do outro lado rasga-se e buzina
É que ser preciso nos dois sentidos impossibilita,
As palavras cruzarem o tempo e a vida.
Corto
Lo que me lleva a contar en versos
Ser este prospecto que nadie lee por completo,
Es una prisa que cuenta mi alma, inquieta
Es miedo de perderme mientras me extiendo,
Haciendo que un simple punto se curve en circunferencia.
Es un temor cruel de que nadie me entienda,
Aunque no alcance lo que quiero decir,
Y además de eso, siendo una sinopsis
Escrita, utilizando lo bueno que aflora.
Ahora mismo no sabría contar,
Que estos versos se deslizan de mis dedos,
Que la maravilla se perdió con él,
Se fue al fondo, se escondió en la arena.
Escribo cosas cortas, pero no breves,
Y cambian conforme avanza el mundo,
En esta marcha lenta, que engaña a todos,
Y da más motivos, y guarda más recuerdos.
Cuando escribo vuelvo al margen derecho,
No es temiendo a un loco descontrolado, bizco
Que del otro lado se desgarra y toca la bocina
Es que ser preciso en ambos sentidos lo imposibilita,
Las palabras cruzar el tiempo y la vida.