Dias de Cão
Perambulando pelas ruas
Entre chutes e pontapés
Um cão de rua não é de ninguém
Ninguém é dono do que não existe
Surrado, pele e osso, quase morto
Só o gosto do abandono
Feito um cão sem dono
Sou eu assim, longe de ti
Sou eu assim, perto do fim!
Entre o perigo dos carros
Meus olhos cheios de pus
Vou vivendo à sombra da luz
Das migalhas caídas do pão
Dormindo pelas calçadas
Numa caixa de papelão
Quem pegaria, então
Um pobre cão?
Um pobre cão?
Passo os dias
De portão em portão
À procura de uma saída
Um rasgo de vida
Días de Perro
Vagando por las calles
Entre patadas y patadas
Un perro callejero no es de nadie
Nadie es dueño de lo que no existe
Golpeado, piel y huesos, casi muerto
Sólo el sabor del abandono
Como un perro sin dueño
Soy yo así, lejos de ti
¡Éste soy yo, cerca del final!
Entre el peligro de los coches
Mis ojos llenos de pus
Estoy viviendo en la sombra de la luz
De las migajas que cayeron del pan
Durmiendo en las aceras
En una caja de cartón
¿Quién lo tomaría entonces?
¿Un perro pobre?
¿Un perro pobre?
Paso mis dias
De puerta a puerta
Buscando una salida
Un vistazo a la vida
Escrita por: Haroldo Aguia