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Sertaneja

Nelson Gonçalves

Sertaneja

Sertaneja, se eu pudesse,
Se Papai do Céu me desse
O espaço pra voar,
Eu corria a natureza
E acabava com a tristeza
Só pra não te ver chorar.

Na ilusão deste poema
Eu roubava um diadema
Lá no céu pra te ofertar
E onde a fonte rumoreja
Eu erguia tua igreja,
Dentro dela o teu altar.

Sertaneja, por que choras
Quando eu canto
Sertaneja, se este canto
É todo teu?
Sertaneja, pra secar
Os teus olhinhos
Vais ouvir os passarinhos
Que cantam mais do que eu.

A tristeza do teu pranto
É mais triste quando eu canto
A canção que te escrevi
E os teus olhos, neste instante,
Brilham mais que a mais brilhante
Das estrelas que já vi.

Sertaneja, vou embora!...
A saudade vem agora
E a alegria vem depois.
Vou subir por essas serras,
Construir lá noutras terras
Um ranchinho pra nós dois.

(Sertaneja, por que choras quando eu canto?).

Sertaneja

Sertaneja, wenn ich könnte,
Wenn der Himmel mir erlaubte,
Zu fliegen, wo ich will,
Würde ich durch die Natur rennen
Und die Traurigkeit beenden,
Nur um dich nicht weinen zu sehen.

In der Illusion dieses Gedichts
Stahl ich ein Diadem,
Vom Himmel, um es dir zu schenken.
Und wo die Quelle rauscht,
Errichtete ich deine Kirche,
In ihr dein Altar.

Sertaneja, warum weinst du,
Wenn ich singe?
Sertaneja, wenn dieses Lied
Ganz dir gehört?
Sertaneja, um deine
Augen zu trocknen,
Wirst du die Vögel hören,
Die mehr singen als ich.

Die Traurigkeit deines Weinens
Ist trauriger, wenn ich singe
Das Lied, das ich für dich schrieb.
Und deine Augen, in diesem Moment,
Leuchten heller als der hellste
Stern, den ich je sah.

Sertaneja, ich gehe jetzt!...
Die Sehnsucht kommt jetzt
Und die Freude kommt danach.
Ich werde über diese Berge steigen,
Dort in anderen Ländern
Eine kleine Hütte für uns beide bauen.

(Sertaneja, warum weinst du, wenn ich singe?).

Escrita por: Rene Bittencourt