Cismas
Não rodei estradas pra colher lamentos
Nem somei auroras pra ser como o vento
Quis virar saudade num quinchar de esperas
Pra sestear nas nuvens e acordar quimeras
Não tirei da estrada o solar das buscas
Nem cruzei caminhos com o olhar em rugas
Fiz dos meus afagos portal pras andorinhas
E guardei só mágoas pra mostrar que eu vinha
(E que venham cismas e milongas tortas
Mas que deixem vivas as lembranças mortas
E que venham cismas e milongas tortas
Mas que deixem vivas as lembranças mortas)
Não domei o ontem pra semear eu mesmo
Nem guardei esporas só pra andar a esmo
Fiz antes de tudo um galpão de estimas
Pra matear recuerdos e escutar a vida
Cismas
No recorrí caminos para cosechar lamentos
Ni sumé amaneceres para ser como el viento
Quise convertir la nostalgia en un rincón de esperas
Para dormir la siesta en las nubes y despertar quimeras
No aparté del camino el sol de las búsquedas
Ni crucé caminos con la mirada arrugada
Hice de mis caricias un portal para las golondrinas
Y guardé solo rencores para mostrar que venía
(Y que vengan cismas y canciones torcidas
Pero que dejen vivas las memorias muertas
Y que vengan cismas y canciones torcidas
Pero que dejen vivas las memorias muertas)
No domé el ayer para sembrar mi propio yo
Ni guardé espuelas solo para andar sin rumbo
Antes que nada, construí un galpón de afectos
Para tomar mate y recordar y escuchar la vida
Escrita por: MAURO MORAES