O Espírito Santo
Dançou sem ruído no ventre das águas
Como um sopro antigo antes da primavera
Guardava, no caos, a semente da vida
Silêncio divino sonhando o amanhã
Preparando um jardim de paz e delícias
Eu serei aquele que serei, disse Deus!
Foi fogo na sarça ardente
No arbusto que ardia sem fim
Coluna na noite do povo cansado
O Deus que fez a terra seca florir
E abriu, no mar profundo
Um santo caminho
Era nuvem pousando na Tenda do Encontro
Azeite escorrendo sobre a fronte do ungido
Dedo divino lavrando, no monte
Palavras de vida em corações quebrantados
Passou pelos lábios de juízes e profetas
Vestiu de coragem o jovem rei Davi
Fez Elias ouvir, no silêncio da mansidão
O plano inefável do eterno Eu Sou
Mas um dia desceu como nunca descera
Não sobre um Sinai de medo e fumaça
Mas sobre homens de carne e miséria
Fazendo do humano um sacrário da graça
Ó Vento que transforma o inquieto coração
Rompe as muralhas do homem sem luz
Converte Babel em linguagem de abraço
E faz do silêncio um anúncio da Cruz
Ó Chama que paira no sangue da Igreja
Manancial que jorra do trono de Deus
Derrama teu vinho nas veias do mundo
Pentecostes ainda acontece sem véus
Tu foste o pássaro sobre as águas do Jordão
Repouso imortal nos ombros do Filho
O beijo infindo do Pai sobre o Cristo
O óleo sagrado do Messias Jesus
Eu serei aquele que serei, disse Deus!
No cenáculo fechado da espera ferida
Maria, Mãe do Senhor
Morada da Trindade Santíssima
Guardava a promessa ainda acesa
E o medo dos homens cedeu à profecia
Quando tua glória rasgou a tristeza
As línguas de fogo renovam o corpo
Consagram o homem ao Verbo eterno
Quem bebe do Espírito aprende a ser ponte
E faz da própria alma um céu aberto de amor
Tu és a torrente que brota da Rocha
O selo do Reino, o hálito da vida
O canto escondido nas páginas santas
A seiva divina da Igreja do Deus vivo
Vem como brisa que ninguém domina
Vem como a luz do altar celestial
E, quando o mundo esquecer teu nome
Reacende o impossível
Vem, Espírito Santo, ó divino Paráclito
Convence o mundo do pecado
Derrama sobre teus filhos
Os sete dons da tua graça
E a riqueza dos teus carismas
Que o fruto sempiterno
Do teu ministério
Resplandeça para sempre
Em meu viver
Vem, Espírito de Deus
E renova a face da terra!
Eu serei aquele que serei, disse Deus!
Vem como flama que purifica sem consumir
Como vento que derruba os impérios do orgulho
Como rio que atravessa desertos interiores
E devolve ao homem o rosto do amor primeiro
Vem, Espírito Santo!
Tua brasa eterna ungiu-me para o Amor!
Sou templo vivo do Grande Eu Sou!
Aleluia!
Louvai o Grande Eu Sou!
Vem, Espírito Santo!
Amém!