Sede de Outubro
É assim, com essa sede de outubro
Que belém bebe Maria
Que nem um líquido viscoso
A multidão se espraia pelas ruas da cidade
Em preces, na manhã ensolarada
Escorre devagar por entre túneis verdes
Parecendo de propósito desenhados
Espreme-se em gargalos por entre rios e canais
Contornam prédios e abraçam quarteirões inteiros
Derramam-se em lágrimas
Vistas do alto, lentes curiosas revelam
A extasiada corrente, delirante, que impressiona
Pisa o chão como se pisasse o céu
Súplicas mil, diferentes vozes, sotaques, raças
Culturas, cores e até crenças
Como uma humana babel
Tonteada, vai seguindo a santa baliza
Tomando, por inteiro, seu generoso espaço
E ao ocupar seu insaciável recipiente
Revela o formato e o tamanho da fé
Sede de Octubre
Es así, con esta sed de octubre
Que Belén bebe María
Como un líquido viscoso
La multitud se extiende por las calles de la ciudad
En oraciones, en la soleada mañana
Se desliza lentamente entre túneles verdes
Como si estuvieran diseñados a propósito
Se aprieta en cuellos de botella entre ríos y canales
Rodean edificios y abrazan manzanas enteras
Se derraman en lágrimas
Vistas desde arriba, lentes curiosas revelan
La extasiada corriente, delirante, que impresiona
Pisa el suelo como si pisara el cielo
Mil súplicas, diferentes voces, acentos, razas
Culturas, colores e incluso creencias
Como una humana babel
Aturdida, sigue la santa guía
Tomando por completo su generoso espacio
Y al ocupar su insaciable recipiente
Revela el formato y el tamaño de la fe
Escrita por: Luzio Ramos / Thiago Vasconcelos