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Marapatá

Nilson Chaves

Marapatá

Que doce mistério
Abriga teu dorso
De ilha afogada
No curso das mágoas?
O Velho Bahira
Se mira nas águas
Espelho da lua
Narciso nheengara

É Marapatá, porta de Manaus
É Marapatá, patati patatá

Que mana maninha
Que dança sozinha
Savana de seda
Pavana de cio
Campim canarana
Bubuia banzando
Canção enrugada
Banzeiro de rio

Vá logo deixando
Senhor forasteiro
A sua vergonha
Em Marapatá
Vergonha se verga
Na cuia do ventre
No V da ilhargas
Vincando por lá

Cunhã se arretando
Tesão de mormaço
Abrindo as entranhas
A flor do tajá
E o macho fungando
Flechando, fisgando
Mordendo a leseira
Dizendo: "Ulha já!"

Marapatá

Qué misterio envuelve
tu espalda
de isla ahogada
en el curso de las penas?
El Viejo Bahira
se refleja en las aguas
espejo de la luna
Narciso nheengara

Es Marapatá, puerta de Manaus
Es Marapatá, patati patatá

Qué mana maninha
que baila sola
Sabana de seda
Pavana de celo
Hierba canarana
Bubuia danzando
Canción arrugada
Remolino del río

Ve rápidamente
Señor forastero
Tu vergüenza
En Marapatá
La vergüenza se dobla
En el cuenco del vientre
En la V de las caderas
Marcando por allá

Mujer arrebatada
Deseo de bochorno
Abriendo las entrañas
La flor del tajá
Y el macho resoplando
Flechando, atrapando
Mordiendo la pereza
Diciendo: '¡Mira ya!

Escrita por: Armando De Paula / Anibal Beça