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Antes de la Sombra del Tarumã

Nilton Ferreira

Antes da Sombra do Tarumã

Estendeu seu poncho, Tarumã das sombras
Pra corpear a tormenta das chuvas de agosto
Mas suas raízes de garras na terra
Não foram tão fortes pra um vento imposto

Por ser boa a terra ganhou seus limites
De semente miúda a copa e raízes
Mas perdeu seu ímpeto de guerreiro nobre
Quando sua garra forjou cicatrizes

Perdeu a imponência Tarumã das sombras
Galhos, troncos, folhas em outro sentido
Quem saiu da terra retornou pra ela
Um taura em combate que fora vencido

Legendário é o tempo que copou suas frontes
Por entre os invernos que passei aqui
Abrigo de tropa pousada de andantes
Dá uma tristeza hoje olhar pra ti

Quero ver agora nessas ressolanas
Nas soalheiras bravas que o dezembro estampa
Descansar cavalos estender pelegos
Com mesmo sossego de sombras pras pampas

Vai ser alimento a boca dos machados
Desgalhar sua copa repartir seu cerno
Já não vai ser sombra, vai ser lenha boa
Pra eu corpear os ventos do próximo inverno

Antes de la Sombra del Tarumã

Extendió su poncho, Tarumã de las sombras
Para enfrentar la tormenta de las lluvias de agosto
Pero sus raíces con garras en la tierra
No fueron tan fuertes para un viento impuesto

Por ser buena la tierra ganó sus límites
De semilla menuda a copa y raíces
Pero perdió su ímpetu de guerrero noble
Cuando su garra forjó cicatrices

Perdió la imponencia Tarumã de las sombras
Ramas, troncos, hojas en otro sentido
Quien salió de la tierra regresó a ella
Un taura en combate que fue vencido

Legendario es el tiempo que cortó sus frentes
Entre los inviernos que pasé aquí
Refugio de tropa posada de caminantes
Da tristeza hoy mirarte

Quiero ver ahora en estas resolanas
En los fuertes soles que diciembre estampa
Descansar caballos, extender pieles
Con la misma tranquilidad de sombras para las pampas

Será alimento para la boca de los hachas
Desramar su copa, repartir su cuerno
Ya no será sombra, será buena leña
Para enfrentar los vientos del próximo invierno

Escrita por: Guto Teixeira / Nilton Ferreira