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Cárcere (part. Giovani Cidreira)

Nobat

Cárcere (part. Giovani Cidreira)

Bicho cego
Solto medo, solto o medo
Sou o medo
Eu aqui trancado em meu
Apartamento

Esquecido entre os esgotos, os
Desgostos
As mazelas e os maus gostos

E lá fora o mundo é só imagem
Sou imagem pra lembranças de
Alguém

Que me espera
Me condena
Me venera
Me envenena

Eu aqui trancado em meu
Apartamento
Procurando tempo
Busco o tempo pra voltar
Viver
Ser algo mais que pensamento

Eu me encaro no espelho
Solto o medo
Sou o medo
Eu aqui trancado em meu
Apartamento

E perco o tempo, calo o tempo
Não há versos
Eu me rendo
Rasgo o pensamento
Sou memória vã da vida que em
Mim secou

Eu me despeço
Encarcerado pelos versos
Que eu mesmo faço e calo
E as palavras que entopem minha
Boca
Desmaiam derrotadas
E morrem derrotadas

Bicho cego já tão velho
E eu ainda medo
Encarcerado pelos versos que eu
Mesmo escrevo

Que eu mesmo calo
Gotas de uma dose que eu nunca
Bebo

Queria tanto estar bêbado
Mas veja só
Eu ando tão cansado em meu
Apartamento
E já não tem mais jeito

Pra essa fuga tão sincera
Tão malandra
Tão esperta
Tão liberta
De um bêbado que vaga pela
Madrugada deserta
Esquecendo-se do que se fez
Mas tanto faz
Eu não me esqueço mais

E se alguém perguntar por mim
Diga que não estou
Ou melhor
Diga que estou só
Como sempre encarcerado por
Meus versos
Em meu apartamento

E perco o tempo, calo o tempo
Não há versos
Eu me rendo
Rasgo o pensamento
Sou memória vã da vida que em
Mim secou

Eu me despeço
Encarcerado pelos versos
Que eu mesmo faço e calo
E as palavras que entopem minha
Boca
Desmaiam derrotadas
E morrem derrotadas

Cárcere (part. Giovani Cidreira)

Bicho ciego
Suelto miedo, suelto el miedo
Soy el miedo
Aquí encerrado en mi
Apartamento

Olvidado entre los desagües, los
desgustos
Las miserias y los malos gustos

Y afuera el mundo es solo imagen
Soy imagen para recuerdos de
Alguien

Que me espera
Me condena
Me venera
Me envenena

Yo aquí encerrado en mi
Apartamento
Buscando tiempo
Busco el tiempo para volver
Vivir
Ser algo más que pensamiento

Me enfrento en el espejo
Suelto el miedo
Soy el miedo
Yo aquí encerrado en mi
Apartamento

Y pierdo el tiempo, callo el tiempo
No hay versos
Me rindo
Rasgo el pensamiento
Soy memoria vana de la vida que en
Mí se secó

Me despido
Encarcelado por los versos
Que yo mismo hago y callo
Y las palabras que taponan mi
Boca
Desmayan derrotadas
Y mueren derrotadas

Bicho ciego ya tan viejo
Y yo aún con miedo
Encarcelado por los versos que yo
Mismo escribo

Que yo mismo callo
Gotas de una dosis que nunca
Bebo

Quisiera tanto estar borracho
Pero mira nada más
Ando tan cansado en mi
Apartamento
Y ya no hay vuelta atrás

Para esta fuga tan sincera
Tan astuta
Tan lista
Tan liberada
De un borracho que deambula por la
Madrugada desierta
Olvidándose de lo que hizo
Pero qué más da
Yo ya no me olvido más

Y si alguien pregunta por mí
Dile que no estoy
O mejor
Dile que estoy solo
Como siempre encarcelado por
Mis versos
En mi apartamento

Y pierdo el tiempo, callo el tiempo
No hay versos
Me rindo
Rasgo el pensamiento
Soy memoria vana de la vida que en
Mí se secó

Me despido
Encarcelado por los versos
Que yo mismo hago y callo
Y las palabras que taponan mi
Boca
Desmayan derrotadas
Y mueren derrotadas

Escrita por: Marcelo Diniz / Nobat