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Hoy Me Desperté, Mujer!

Opanijé

Hoje Eu Acordei, Mulher!

Hoje eu acordei discriminado
Hoje eu acordei desacreditado
Hoje eu acordei desrespeitado
Hoje eu acordei mulher

Hoje eu acordei iluminado
Hoje eu acordei do lado errado
Hoje eu acordei estereotipado
Hoje eu acordei mulher

Ouvindo india.arie, prestando atenção nos detalhes
Pedindo a oxum que a minha intuição nunca falhe
Sofrendo na boca dos rappers e pagodeiros
Levando regulagem de marido cachaceiro
Filho da fruta descascada entregue na bandeja
A puta pelada num comercial de cerveja
Piranha num rio onde o homem é sempre o boi
Pilantra que esquece que filho se faz com dois
Metralhada, cachorra, piriguete descarada.
Sentada a mãe que fica em casa sem fazer nada
Assim é retratada e idealizada
Dupla ou tripla jornada não recompensada
Boa era amélia que achava bonito ser humilhada
Gilcélia se ouvisse isso me dava porrada
Acha que é feita sempre pra ceder, se entregar
A roupa que o homem quer ver sempre incomoda pra usar
Não leva a sério o que eu falo, só porque eu não tenho falo
Mesmo assim não me calo, o pinto não canta de galo
Nem pense em me escravizar, você tá fora de moda
Não parto, porque a dor do parto é sempre foda

Roupa pra lavar, feijão pra cozinhar
Menino pra cuidar, mas sei que eu consigo
Não quero ser vulgar, nem escrava do lar
Só quero aguçar o meu sexto sentido
A bela fera-ferida que se faz presente
Sente que em seu corpo e mente há algo diferente
Percebe uma voz que vem do seu coração
Que diz que quem educa uma mulher educa uma nação
Quem dera saber que aconteceu com você
A sua yabá de frente nesse amanhecer
Queria que você soubesse, então como é que é
Ao menos um dia ter que acordar mulher
Recusar aparecer pelada pra vender produto
Saber que está propícia a ser vítima de estupro
Tudo isso e mais um pouco a sociedade ataca
Chama de piriguete, cachorra, galinha, vaca
Tem gente que não saca que isso me afeta
Tem macho que só quer a fêmea de perna aberta
Me submeter a submissão isso eu não faço
Só pra lembrar: hoje não é 8 de março

Bonita como um cabelo crespo bem trançado
Arisca como qualquer bicho que é maltratado
Sempre comparada às coisas inúteis
Incentivada a fazer os papéis mais fúteis
Televisão nem se fala, já é piada
Sempre empregada ou escrava, a mesma palhaçada
O mundo muda, mas cabeça de homem é sempre de pedra
Quando junta numa rodinha então... só rola merda
Estufa o peito pra dizer que fez, que aconteceu.
No meio dos seus arrotar o que não comeu
Faz bem pro ego, um mentiroso é poucas vezes pego
Porque se sente um prego toda vez que eu me nego
E carrego o mundo na barriga e o pé inchado
Não durmo enquanto você vira pro outro lado
Não adianta olhar demais e não prestar atenção
Malhar os peitorais e não fortalecer o coração
Lutar pra ser guerreira e não santificada
A mãe de quem matou zeferina não é culpada
Beleza e inteligência ainda não são suficientes
Firmeza!
As yabás vão estar sempre com a gente

Hoy Me Desperté, Mujer!

Hoy me desperté discriminado
Hoy me desperté desacreditado
Hoy me desperté desrespetado
Hoy me desperté mujer

Hoy me desperté iluminado
Hoy me desperté del lado equivocado
Hoy me desperté estereotipado
Hoy me desperté mujer

Escuchando india.arie, prestando atención a los detalles
Pidiendo a oxum que mi intuición nunca falle
Sufriendo en boca de raperos y pagodeiros
Recibiendo maltrato de marido borracho
Hijo de fruta pelada entregado en bandeja
La puta desnuda en un comercial de cerveza
Piruja en un río donde el hombre siempre es el toro
Pícaro que olvida que un hijo se hace con dos
Acribillada, perra, descarada piriguete
Sentada la madre que se queda en casa sin hacer nada
Así es retratada e idealizada
Doble o triple jornada no recompensada
Buena era Amélia que encontraba bonito ser humillada
Gilcélia si escuchara esto me daría golpes
Cree que siempre está hecha para ceder, entregarse
La ropa que el hombre quiere ver siempre molesta para usar
No toma en serio lo que digo, solo porque no tengo falo
Aun así no me callo, el pene no canta de gallo
Ni pienses en esclavizarme, estás pasado de moda
No paro, porque el dolor del parto siempre es jodido

Ropa para lavar, frijoles para cocinar
Niño para cuidar, pero sé que puedo
No quiero ser vulgar, ni esclava del hogar
Solo quiero agudizar mi sexto sentido
La bella fiera-herida que se hace presente
Siente que en su cuerpo y mente hay algo diferente
Percibe una voz que viene de su corazón
Que dice que quien educa a una mujer educa a una nación
Quién sabe qué te pasó
Tu yabá de frente en este amanecer
Quisiera que supieras, entonces cómo es
Al menos un día tener que despertar mujer
Rechazar aparecer desnuda para vender producto
Saber que estás propensa a ser víctima de violación
Todo esto y un poco más la sociedad ataca
Llama piriguete, perra, gallina, vaca
Hay gente que no entiende que esto me afecta
Hay macho que solo quiere a la hembra con las piernas abiertas
Someterme a sumisión eso no lo hago
Solo para recordar: hoy no es 8 de marzo

Bonita como un cabello crespo bien trenzado
Arisca como cualquier animal maltratado
Siempre comparada con cosas inútiles
Incentivada a hacer los roles más fútiles
La televisión ni se menciona, ya es una broma
Siempre empleada o esclava, la misma payasada
El mundo cambia, pero la cabeza del hombre siempre es de piedra
Cuando se juntan en grupo entonces... solo sale mierda
Infla el pecho para decir que hizo, que ocurrió
En medio de sus eructos lo que no comió
Le hace bien al ego, un mentiroso es pocas veces descubierto
Porque se siente un clavo cada vez que me niego
Y cargo el mundo en la barriga y el pie hinchado
No duermo mientras tú te das la vuelta
No sirve de nada mirar demasiado y no prestar atención
Hacer ejercicio en los pectorales y no fortalecer el corazón
Luchar por ser guerrera y no santificada
La madre de quien mató a Zeferina no es culpable
Belleza e inteligencia aún no son suficientes
¡Firmeza!
Las yabás siempre estarán con nosotras

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