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Nudo de Pino

Orestes Dornelles

Nó de Pinho

lembra... da cor da casa, rosa antigo
não ficou nenhum vestígio
pois tudo voltou ao pó
tinha... a lhe cobrir telhas francesas
discretas janelas verdes
corações nas venezianas

ouço uma voz me chamar:
- ô menino vem logo, vem cá
sai da chuva, não vá se molhar
tenha cuidado! - a minha avó
era toda desvelo de quem ama

[refrão]
a casa evoca seus segredos
abriga os meus sonhos
quando eu me sinto só
a casa é como um novelo
que quando eu desenrolo
enredo no meu pinho e dou um nó

lembra... a parreira esparramada
uva preta, a mais gostosa
toda sombra no verão
tinha... doce amoreira escondida
junto ao muro do vizinho
que nossa roupa manchava
ouço uma voz me chamar:
- ô menino vem logo, vem cá
esse brinquedo pode machucar
tenha cuidado! - o meu avô
que os meus passos guiava

lembra... as laranjeiras coloridas
que no inverno ofertavam
saborosos frutos novos
tinha... (a casa tinha) muito espaço ocioso
todo o tempo do mundo
quanta coisa que esqueci
ouço uma voz me chamar:
- ô menino vem logo, vem cá
sai do frio, não vá se resfriar
tenha cuidado! - a minha avó
estava sempre a repetir

[refrão]

Nudo de Pino

recuerda... el color de la casa, rosa antiguo
no quedó ningún rastro
porque todo volvió al polvo
tenía... para cubrirte con tejas francesas
discretas ventanas verdes
corazones en las persianas venecianas

escucho una voz que me llama:
- ¡oye niño, ven rápido, ven acá
sal de la lluvia, no te vayas a mojar
ten cuidado! - mi abuela
era todo cuidado de quien ama

[estribillo]
la casa evoca sus secretos
alberga mis sueños
cuando me siento solo
la casa es como un ovillo
que cuando desenredo
enredo en mi pino y hago un nudo

recuerda... la parra extendida
uva negra, la más sabrosa
toda sombra en verano
tenía... dulce morera escondida
junto al muro del vecino
que manchaba nuestra ropa
escucho una voz que me llama:
- ¡oye niño, ven rápido, ven acá
este juguete puede lastimar
ten cuidado! - mi abuelo
que guiaba mis pasos

recuerda... los naranjos coloridos
que en invierno ofrecían
sabrosos frutos nuevos
tenía... (la casa tenía) mucho espacio desocupado
todo el tiempo del mundo
cuántas cosas que olvidé
escucho una voz que me llama:
- ¡oye niño, ven rápido, ven acá
sal del frío, no te vayas a resfriar
ten cuidado! - mi abuela
siempre estaba repitiendo

[estribillo]

Escrita por: Orestes Dornelles