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Suburbio (Poema Suburbano)

Orlando Silva

Subúrbio (Poema Suburbano)

Subúrbio, subúrbio
Das moças prendadas
Que fazem bordados
E querem casar

Dos cães vira-latas
Que latem à Lua
Enquanto as galinhas
Se deixam furtar

Das ruas barrentas
Tão simples e humildes
Que até nem o nome
Se lê nos jornais

E sobem ladeiras
De noite, sozinhas
De cem em cem metros
Um bico de gás

Subúrbio do tempo
Do chá com torrada
Sofá de palhinha
Xadrez e gamão

Subúrbio teimoso
Dos trens atrasados
Subúrbio pacato
Do meu coração

Meu Deus, quem me dera
Ir dar um passeio
Com as vossas morenas
Cavar um namoro

Ir vê-las, aos pares
Domingo na praça
Sorrindo pra gente
Com dente de ouro

Subúrbio, subúrbio
Das moças prendadas
Que fazem bordados
E querem casar

Dos cães vira-latas
Em noite de Lua
Enquanto as galinhas
Se deixam furtar

Ser noivo no Meyer
Ouvindo uma valsa
Um sonho de valsa
Mimoso, sutil

Ser meio mulato
Mulato e foguista
Da Estrada de Ferro
Central do Brasil

Ser noivo no Meyer
Ouvindo uma valsa
Um sonho de valsa
Mimoso, sutil

Ser meio mulato
Mulato e foguista
Da Estrada de Ferro
Central do Brasil

Suburbio (Poema Suburbano)

Suburbio, suburbio
De las chicas talentosas
Que hacen bordados
Y quieren casarse

De los perros callejeros
Que ladran a la Luna
Mientras las gallinas
Se dejan robar

De las calles embarradas
Tan simples y humildes
Que ni siquiera el nombre
Se lee en los diarios

Y suben las pendientes
De noche, solas
Cada cien metros
Un tanque de gas

Suburbio del tiempo
Del té con tostadas
Sofá de mimbre
Acuadros y dominó

Suburbio terco
De los trenes retrasados
Suburbio tranquilo
De mi corazón

Dios mío, ojalá
Pudiera dar un paseo
Con sus morenas
Iniciar un romance

Ir a verlas, de a pares
El domingo en la plaza
Sonriendo hacia nosotros
Con dientes de oro

Suburbio, suburbio
De las chicas talentosas
Que hacen bordados
Y quieren casarse

De los perros callejeros
En noche de Luna
Mientras las gallinas
Se dejan robar

Ser novio en el Meyer
Escuchando un vals
Un sueño de vals
Delicado, sutil

Ser medio mulato
Mulato y fogonero
De la línea de tren
Central de Brasil

Ser novio en el Meyer
Escuchando un vals
Un sueño de vals
Delicado, sutil

Ser medio mulato
Mulato y fogonero
De la línea de tren
Central de Brasil

Escrita por: Luiz Peixoto, Alberto de Castro Simões da Silva