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Cosecha de Nostalgia

Osmar Dutra e Jean Moreira

Colheita de Saudade

Na escrivaninha do meu escritório
Por um momento parei pra pensar
Com as coisas lindas lá do meu sertão
Mesmo acordado comecei sonhar

Vi em minha frente a cerca de arame
Cercando nossa casa de madeira
O cocho do gado, a porteira de vara
E o lago onde eu já pesquei de peneira

A areia branca onde eu brincava
A velha paineira que mamãe plantou
O triste gemido do velho engenho
Que à machado meu pai fabricou

Minha rede, meu chapéu de palha
E o meu cachorro perdigueiro
Meu laço, meu par de espora
Meu cavalo branco chamado Ligeiro

A escolinha, a professora
Que transformou-me num diplomata
Meu velho lenço em uma parede
Substituíram por uma gravata

De todas as coisas que recordei
Fiz estes versos pra desabafar
Que é uma colheita de doces saudades
Que da minha mente jamais sairá

Cosecha de Nostalgia

En el escritorio de mi oficina
Por un momento me detuve a pensar
En las cosas hermosas de mi tierra natal
Aunque despierto, comencé a soñar

Vi frente a mí la cerca de alambre
Rodeando nuestra casa de madera
El comedero del ganado, la tranquera de vara
Y el lago donde solía pescar con una criba

La arena blanca donde jugaba
El viejo árbol de ceibo que mamá plantó
El triste gemido del viejo ingenio
Que con hacha fabricó mi padre

Mi hamaca, mi sombrero de paja
Y mi perro perdiguero
Mi lazo, mis espuelas
Mi caballo blanco llamado Ligeiro

La escuelita, la maestra
Que me convirtió en un diplomático
Mi viejo pañuelo en una pared
Reemplazado por una corbata

De todas las cosas que recordé
Hice estos versos para desahogarme
Es una cosecha de dulces nostalgias
Que de mi mente nunca se irá

Escrita por: Jean Moreira