Maquinista
Na Sorocabana fui telegrafista
Fui pra Mogiana como manobrista
E num trem de lastro eu era foguista
Sempre animado, nunca fui grevista
Caboclo de peito que tudo conquista
Sem desanimar, sem ser pessimista
Eu da Mogiana passei pra Paulista
Eu fui pra Central como maquinista
Com um trem expresso saí da estação
O bicho bufava com quinze vagão
E o meu foguista que era dos bão
Enchia as caldeiras prendendo a pressão
Eu desci a serra, entrei no chapadão
Com chuva de pedra, com vento e trovão
A trezentos metros tremeu o coração
Eu vi a enchente cobri o ponteão
Baixei a palmatória, fui num supetão
Fechei o regolento e com muita atenção
Abri as torneira que faz purgação
Puxei a alavanca fui num arrancão
Um contra vapor foi a salvação
Eu arrisquei tudo em minha obrigação
E com muita calma e com a proteção
Foi que eu salvei a composição
Hoje nessa linha sou um dos primeiro
Eu sou maquinista em trem de passageiro
E dirijo sempre noturno mineiro
De Belo Horizonte pro Rio de Janeiro
Assim é que eu vivo, ganho o meu dinheiro
E tenho um foguista que é bão companheiro
Eu tenho um São Jorge que é meu padroeiro
Me protege a vida e a dos passageiro
Maquinista
En la Sorocabana fui telegrafista
Fui a la Mogiana como maniobrista
Y en un tren de lastre era foguista
Siempre animado, nunca fui huelguista
Caboclo de pecho que todo lo conquista
Sin desanimarme, sin ser pesimista
De la Mogiana pasé a la Paulista
Fui a la Central como maquinista
Con un tren expreso salí de la estación
El bicho bufaba con quince vagones
Y mi foguista, que era de los buenos
Llenaba las calderas manteniendo la presión
Bajé la sierra, entré en el chapadão
Con lluvia de piedra, con viento y trueno
A trescientos metros tembló el corazón
Vi la inundación cubrir el puente
Bajé la palmatoria, fui de repente
Cerré el regulador con mucha atención
Abrí las válvulas que hacen purga
Jalé la palanca y arranqué
Un contravapor fue la salvación
Arriesgué todo en mi obligación
Y con mucha calma y con protección
Fue así como salvé la composición
Hoy en esta línea soy uno de los primeros
Soy maquinista en tren de pasajeros
Y conduzco siempre nocturno minero
De Belo Horizonte a Río de Janeiro
Así es como vivo, gano mi dinero
Y tengo un foguista que es buen compañero
Tengo un San Jorge que es mi patrón
Protege mi vida y la de los pasajeros
Escrita por: Ado Benatti / Luizinho