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Padre Sin Corazón

Pardinho e Pardal

Pai Sem Coração

Foi lá na alta paulista, que este fato aconteceu
Um lavrador certo dia, seu mantimento vendeu
Oitocentos mil cruzeiros, foi o quanto recebeu
Quando ele veio de volta, construindo os planos seus
Pôs o dinheiro na mesa, e contando se entreteu

Sua filha de três anos, ali perto foi chegando
Fazendo agrado pra ele, contente foi perguntando
Pra que serve esses papéis, que o senhor está juntando
Isto é pra por no fogo, foi o que ele foi falando
Nesta hora lá na porta, ele ouviu alguém chamando

Pra ver quem tava chamando, bem depressa levantou
O dinheiro esparramado ali na mesa deixou
Quando ele veio de volta sua filhinha falou
Papaizinho eu já fiz o que o senhor mandou
Já pus no fogo os papéis que aqui na mesa ficou

Este homem naquela hora perdeu a sua noção
Como um louco pegou a filha, ali mesmo no fogão
Queimou as duas mãozinhas na mais triste judiação
Com as mãozinhas queimadas, ela pedia perdão
Eu nunca mais faço isso, paizinho do coração

A pobre mãe ficou louca, este homem foi pra prisão
Pra pagar o seu pecado, a sua imaginação
De vê sua filhinha fazendo reclamação
De porta em porta esmolando um pedacinho de pão
Mostrando as mãozinha aleijadas pro povo ter compaixão

Padre Sin Corazón

Fue en la alta paulista, donde este hecho ocurrió
Un labrador un día, su cosecha vendió
Ochocientos mil cruzeiros, fue lo que recibió
Cuando regresó, construyendo sus planes
Puso el dinero en la mesa, y contando se entretenía

Su hija de tres años, se acercó
Haciéndole cariño, contenta preguntó
¿Para qué sirven estos papeles que está juntando?
Esto es para poner en el fuego, fue lo que él dijo
En ese momento en la puerta, escuchó a alguien llamar

Para ver quién llamaba, se levantó rápidamente
Dejó el dinero esparcido en la mesa
Cuando regresó, su hijita dijo
Papito, hice lo que me mandaste
Ya puse en el fuego los papeles que quedaron en la mesa

Este hombre en ese momento perdió la noción
Como un loco agarró a su hija, justo en el fogón
Quemó sus dos manitas en la más triste tortura
Con las manitas quemadas, ella pedía perdón
Nunca más lo haré, papito de corazón

La pobre madre enloqueció, este hombre fue a prisión
Para pagar su pecado, su imaginación
De ver a su hijita quejándose
De puerta en puerta pidiendo un pedacito de pan
Mostrando sus manitas mutiladas para que la gente tenga compasión

Escrita por: Teddy Vieira, Sulino