Bárbaro Soneto
Venho, impávida e decididamente
Neste frenesi, te dizer o meu amor
Que nesta mesma noite me matarei
E beberei um único cálice de inseticida infalível
E morrerei feito um inseto tórpido, em minha clausura
Deixarei escrito a batom um bilhete lírico, insólito
Talvez um bárbaro soneto intoleravelmente esdrúxulo
Magoarei certamente a natureza hipócrita dos homens
Ora danem-se
Nesta hora, querido, serei uma suicida
E não revelarei sequer os meus recônditos equívocos
O mistério é meu absoluto segredo inviolável
Minha última volúpia de mulher vaidosa que sou
Minha decisão é drástica
Irreversivelmente tola
Mas são tantas as lágrimas
Derramadas no mundo, meu amor
Serei uma gota no mar
Entre gotas inumeráveis
Adeus... Adeus...
Bárbaro Soneto
Vengo, impávida y decididamente
En este frenesí, decirte mi amor
Que esta misma noche me mataré
Y beberé un único cáliz de insecticida infalible
Y moriré como un insecto sórdido, en mi encierro
Dejaré escrito con lápiz labial una nota lírica, insólita
Quizás un bárbaro soneto intolerablemente estrafalario
Seguramente heriré la naturaleza hipócrita de los hombres
Al diablo con ellos
En este momento, querido, seré una suicida
Y no revelaré ni siquiera mis equívocos más íntimos
El misterio es mi secreto absoluto e inviolable
Mi última lujuria de mujer vanidosa que soy
Mi decisión es drástica
Irreversiblemente tonta
Pero son tantas las lágrimas
Derramadas en el mundo, mi amor
Seré una gota en el mar
Entre innumerables gotas
Adiós... Adiós...