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Decir No

Paulinho Dagomé

Dizer Não

Ser súdito das sensações
Não faz de mim vassalo seu
Não obstante eu não consigo dizer não
Ao mínimo capricho
Eu perco o equilíbrio
Palavra eu não consigo dizer não

Dizer não
Palavra eu não consigo dizer não

Os meus amigos falam muito
Que nós temos pouca voz
Que as pausas e os silêncios são pra nós
Negroide anão e nordestino
Quero emitir opinião
Pro macho adulto branco dizer não

Dizer não
Palavra eles só sabem dizer não

As luzes dos apartamentos
Asa norte asa sul
Vejo sumir pela janela do buzu
Meus olhos suburbanos
Forjados pra dormir
O sono dos injustiçados quero abrir

E dizer não
Palavra eu preciso dizer não

Eu passo pelos condomínios
E chego a são sebastião
Você na porta do barraco conceição
A minha pinga é o champanhe
Minha marmita é o faisão
E o meu suor é o descanso do patrão

Dizer não
A vida inteira e eu não consigo dizer não

Decir No

Ser súbdito de las sensaciones
No me convierte en vasallo tuyo
Sin embargo, no puedo decir no
A cualquier capricho
Pierdo el equilibrio
La palabra no puedo decir no

Decir no
La palabra no puedo decir no

Mis amigos hablan mucho
Que tenemos poca voz
Que las pausas y los silencios son para nosotros
Negroide enano y nordestino
Quiero expresar mi opinión
Para que el macho adulto blanco diga no

Decir no
La palabra ellos solo saben decir no

Las luces de los apartamentos
Asa norte asa sul
Veo desaparecer por la ventana del bus
Mis ojos suburbanos
Forjados para dormir
Quiero abrir el sueño de los injusticiados

Y decir no
La palabra necesito decir no

Paso por los condominios
Y llego a São Sebastião
Tú en la puerta del barraco Conceição
Mi aguardiente es el champán
Mi vianda es el faisán
Y mi sudor es el descanso del patrón

Decir no
Toda la vida y no puedo decir no

Escrita por: Paulinho Dagomé