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Negro No Se Va, Negro Solo Viene

Paulinho Kokay

Negro Não Vai, Negro Só Vem

De onde vens assim cansado
Trazendo a tristeza no olhar?
Escondendo o pranto calado
Nos segredos do além-mar

Lá nas plagas do continente
Bem distante assim ficou
O sonho que o porão negreiro
Para sempre sepultou

Negro não vai, negro só vem
E nessa ciranda da vida
Morto não vale um vintém
Negro não vai, negro só vem
E nessa ciranda da vida
Morto não vale um vintém

Tem galinha nova no cais
Chegou a hora de barganhar
Chama o senhor e o capataz
Que o leilão vai começar

Negro não vai, negro só vem
E nessa ciranda da vida
Morto não vale um vintém
Negro não vai, negro só vem
E nessa ciranda da vida
Morto não vale um vintém

Negro No Se Va, Negro Solo Viene

De dónde vienes así cansado
Llevando la tristeza en la mirada?
Escondiendo el llanto callado
En los secretos de ultramar

Allá en las tierras del continente
Bien lejos así quedó
El sueño que el barco negrero
Para siempre sepultó

Negro no se va, negro solo viene
Y en esta rueda de la vida
Muerto no vale un centavo
Negro no se va, negro solo viene
Y en esta rueda de la vida
Muerto no vale un centavo

Hay gallinas nuevas en el muelle
Llegó la hora de negociar
Llama al señor y al capataz
Que la subasta va a comenzar

Negro no se va, negro solo viene
Y en esta rueda de la vida
Muerto no vale un centavo
Negro no se va, negro solo viene
Y en esta rueda de la vida
Muerto no vale un centavo

Escrita por: João Ricardo Bessa Freire / Paulinho Kokay