Pequenos Momentos (No Dia Que o Marcão Morreu, No Velório Não Faltou Ninguém)
Onde é que andam os teus sonhos
E aqueles pensamentos risonhos
De mudar o mundo?
Senta aqui um segundo, vamos conversar
Eu quero ouvir da correria da tua vida
Da tua falta de tempo
Das lutas e das tretas
E também do fundo daquela gaveta
Onde eu sei que os teus sonhos foram parar
Onde é que anda aquela criança
Que via a vida como uma dança?
Hoje ela cresceu e se tornou você
Mas eu sei que de vez em quando ela te visita
E quando ela vem, você acredita
Ou prefere a esquecer?
E dizer que a vida adulta não dá margem
Tirar um dia pra ser criança é bobagem
Porque você tem muito mais a fazer
Quando foi a última vez que você andou de pés descalços?
Quando foi a última vez que surpreendeu alguém que ama com um longo abraço?
Quando foi a última vez que tirou um dia 100% pra você, sem pensar em mais nada?
E quando foi a última vez que você chorou... mas de tanto dar risada?
E aí tem aquela histórinha assim:
- Vamos marcar algo?
- Ah, não... Semana que vem, talvez!?
- Pô cara, eu tô com saudade tua!
- Eu também! Um dia desse ligo pra vocês...
- Faz tempo que a gente não se vê, né!?
- Ah, verdade, é que a minha vida agora tá uma correria!
- Pô, então aparece lá em casa!
- Claro... Logo, logo eu te aviso o dia...
Isso me lembrou de um grupo de amigos
Que ficou vinte anos se reunindo e sempre faltava alguém
Toda vez que estavam juntos era só:
– Ué, hoje o fulano não vem?
Se ia um não ia outro
Quando não cancelavam o encontro também
Mas no dia que o Marcão morreu
No velório não faltou ninguém
Você já parou pra pensar que o tempo com seus pais e avós é extremamente limitado?
Que o teu cachorro tão amigo não vai passar a vida inteira do seu lado?
Que os anos só vão seguir voando de um jeito cada vez mais veloz?
E que se você não tem tempo agora
Você vai arranjar tempo, mas vai ser naquele dia que te faltar a voz
Vinte, trinta, quarenta, cinquenta
Década após década, essa chance só aumenta
Com sorte... Com sorte a gente vive, sei lá, mais ou menos até os oitenta
Quando tempo você ainda acha que tem?
E mais do que isso: quanto mais você aguenta?
Quantas despedidas você ainda tem pela frente?
Quantas dores, machucados, decepções com todo tipo de gente
Quantas vezes você ainda vai votar pra presidente?
E será que a gente vive pra ver pelo menos um político decente?
A vida conta mesmo é nos pequenos momentos
Você vai ter derrotas, quedas, mágoas
Daquele nosso time rebaixamentos
Mas o mais importante de tudo e que eu acho que vocês estão esquecendo
Quantos pequenos sorrisos ultimamente você anda tendo?
Pequeños Momentos (El día que murió Marcão no faltó nadie en el velorio)
¿Dónde están tus sueños?
Y esos pensamientos risueños
¿Para cambiar el mundo?
Siéntate aquí un segundo, hablemos
Quiero escuchar sobre la prisa de tu vida
tu falta de tiempo
De las peleas y las tonterías
Y también desde el fondo de ese cajón
¿Dónde sé que terminaron tus sueños?
¿Dónde está ese niño?
¿Quién vio la vida como un baile?
Hoy ella creció y se convirtió en ti
Pero sé que de vez en cuando ella te visita
Y cuando llega, crees
¿O prefieres olvidarlo?
Y decir que en la vida adulta no hay lugar para
Tomarse un día para ser niño es una tontería
Porque tienes mucho más que hacer
¿Cuándo fue la última vez que caminaste descalzo?
¿Cuándo fue la última vez que sorprendiste a alguien que amas con un largo abrazo?
¿Cuándo fue la última vez que te tomaste un día 100% para ti, sin pensar en nada más?
¿Y cuándo fue la última vez que lloraste... pero de tanto reír?
Y luego está esa pequeña historia como esta
¿Programamos algo?
Oh, no... ¿¡La semana que viene, tal vez!?
¡Hombre, te extraño!
¡Yo también! Te llamaré un día de estos
Ha pasado un tiempo desde que nos vimos, ¿¡verdad!?
¡Oh, es verdad, mi vida está ocupada ahora!
¡Vaya, entonces ven a la casa!
Por supuesto... Pronto les avisaré el día
Me recordó a un grupo de amigos
Que pasaron veinte años juntándose y siempre faltaba alguien
Cada vez que estaban juntos era simplemente
Oye, ¿fulano de tal no viene hoy?
Si uno fue, el otro no fue
Cuando tampoco cancelaron la reunión
Pero el día que murió Marcão
No faltó nadie en el velorio
¿Alguna vez te has parado a pensar que el tiempo con tus padres y abuelos es extremadamente limitado?
¿Que tu simpático perro no pasará toda su vida a tu lado?
¿Que los años seguirán pasando cada vez más rápido?
Y si no tienes tiempo ahora
Harás tiempo, pero será ese día cuando pierdas la voz
Veinte, treinta, cuarenta, cincuenta
Década tras década, esta posibilidad no hace más que aumentar
Con suerte... Con suerte vivimos, no sé, más o menos hasta los ochenta
¿Cuánto tiempo crees que todavía tienes?
Y más que eso: ¿cuánto más puedes aguantar?
¿Cuántas despedidas te quedan todavía por delante?
Tantos dolores, heridas, decepciones con todo tipo de personas
¿Cuántas veces vas a votar por presidente?
¿Y viviremos para ver al menos un político decente?
La vida realmente cuenta en los pequeños momentos
Tendrás derrotas, caídas, angustias
De ese equipo nuestro descensos
Pero lo más importante de todo y lo que creo que te estás olvidando
¿Cuántas sonrisitas has tenido últimamente?