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Camaleón

Paulo Dagomé

Camaleão

Sou camaleão
Sou transformação em transformação
Tento caminhar entre e ar e o ar
Entre o vão e o vão

Se eu não me encontrar
Vou continuar sem chegar ao fim
Sonho em acordar
Na tribo que há entre o eu e o mim

E no círculo sagrado que haverá
Sem cachimbo da paz e sem cauim
O reverso das mil portas se abrirá
Vou me encontrar enfim

Tudo que vivemos
É tudo que temos
Não vou esquecer
Eu sou meus próprios passos
Escrevo em meu espaço
O que quero ler

Pouso sem escala
Sou o mestre sala
E a porta bandeira

Eu que fui Portela
Hoje não sou dela
Mas não sou Mangueira

Tenho novos planos
Tento novos fumos
Voo sem cheirar

Parto pelo mundo
Aborto profundo
Porto de além mar

Corcunda de Notre Dame
Cyrano de bergerac
Macunaíma, sei lá

Eu sei que eu tenho fome
De saber meu nome
Saber meu lugar

Camaleón

Soy camaleón
Soy transformación en transformación
Intento caminar entre el aire y el aire
Entre el vacío y el vacío

Si no me encuentro
Seguiré sin llegar al final
Sueño con despertar
En la tribu que hay entre el yo y el mí

Y en el círculo sagrado que habrá
Sin pipa de la paz y sin cauim
El reverso de las mil puertas se abrirá
Me encontraré al fin

Todo lo que vivimos
Es todo lo que tenemos
No olvidaré
Soy mis propios pasos
Escribo en mi espacio
Lo que quiero leer

Aterrizo sin escalas
Soy el maestro de ceremonias
Y la portaestandarte

Yo que fui Portela
Hoy no soy de ella
Pero no soy Mangueira

Tengo nuevos planes
Pruebo nuevos humos
Vuelo sin oler

Parto por el mundo
Aborto profundo
Puerto de ultramar

Jorobado de Notre Dame
Cyrano de Bergerac
Macunaíma, qué sé yo

Sé que tengo hambre
De saber mi nombre
Saber mi lugar

Escrita por: Máximo Mansur e Paulo Dagomé