Camaleão
Sou camaleão
Sou transformação em transformação
Tento caminhar entre e ar e o ar
Entre o vão e o vão
Se eu não me encontrar
Vou continuar sem chegar ao fim
Sonho em acordar
Na tribo que há entre o eu e o mim
E no círculo sagrado que haverá
Sem cachimbo da paz e sem cauim
O reverso das mil portas se abrirá
Vou me encontrar enfim
Tudo que vivemos
É tudo que temos
Não vou esquecer
Eu sou meus próprios passos
Escrevo em meu espaço
O que quero ler
Pouso sem escala
Sou o mestre sala
E a porta bandeira
Eu que fui Portela
Hoje não sou dela
Mas não sou Mangueira
Tenho novos planos
Tento novos fumos
Voo sem cheirar
Parto pelo mundo
Aborto profundo
Porto de além mar
Corcunda de Notre Dame
Cyrano de bergerac
Macunaíma, sei lá
Eu sei que eu tenho fome
De saber meu nome
Saber meu lugar
Camaleón
Soy camaleón
Soy transformación en transformación
Intento caminar entre el aire y el aire
Entre el vacío y el vacío
Si no me encuentro
Seguiré sin llegar al final
Sueño con despertar
En la tribu que hay entre el yo y el mí
Y en el círculo sagrado que habrá
Sin pipa de la paz y sin cauim
El reverso de las mil puertas se abrirá
Me encontraré al fin
Todo lo que vivimos
Es todo lo que tenemos
No olvidaré
Soy mis propios pasos
Escribo en mi espacio
Lo que quiero leer
Aterrizo sin escalas
Soy el maestro de ceremonias
Y la portaestandarte
Yo que fui Portela
Hoy no soy de ella
Pero no soy Mangueira
Tengo nuevos planes
Pruebo nuevos humos
Vuelo sin oler
Parto por el mundo
Aborto profundo
Puerto de ultramar
Jorobado de Notre Dame
Cyrano de Bergerac
Macunaíma, qué sé yo
Sé que tengo hambre
De saber mi nombre
Saber mi lugar
Escrita por: Máximo Mansur e Paulo Dagomé