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Viejo Sombrero

Paulo Siqueira

Velho Chapéu

Chapéu velho que estou vendo
Neste gancho pendurado
Embora eu tenha arrumado
Com muito jeito e carinho
Tu continuas velhinho
E bastante amassado
Quando te vejo assim
Lembro de nossas jornadas
Pelos atalhos e estradas
Nos mais diversos rincões
Seguia ouvindo canções
Sopradas do minuano
Que atingindo teu pano
Produzia vibrações

Chapéu velho, me recordo
Do rodeio em Vacaria
Aonde eu passava o dia
Gineteando bem disposto
Tu protegias meu rosto
Onde o suor escorria
O Sol de muitos verões
Os nevoeiros danados
Te deixaram desbotado
Companheiro das tropeadas
Lembrança de carreiradas
Meu distintivo sem luxo
És bandeira do gaúcho
Deste Rio Grande adorado

Chapéu velho aqui no peito
A saudade me destrói
E o meu coração dói
No fim de tantas andanças
Eu te guardei por lembrança
Igual medalha de herói
Eu então te pendurei
Logo acima do baú
Barbicacho couro cru
És velho igual o meu rosto
Para mim não ter desgosto
Vou te levar como estampa
Pra ser coroa na campa
Deste gauderio xirú

Viejo Sombrero

Viejo sombrero que estoy viendo
En este gancho colgado
Aunque te arreglé
Con mucho cuidado y cariño
Sigues siendo viejito
Y bastante arrugado
Cuando te veo así
Recuerdo nuestras jornadas
Por los atajos y caminos
En los más diversos rincones
Seguía escuchando canciones
Sopladas del pampero
Que al golpear tu tela
Producía vibraciones

Viejo sombrero, recuerdo
El rodeo en Vacaria
Donde pasaba el día
Montando con entusiasmo
Tú protegías mi rostro
Donde el sudor corría
El sol de muchos veranos
Las nieblas malditas
Te dejaron desteñido
Compañero de las tropas
Recuerdo de carreras
Mi distintivo sin lujo
Eres bandera del gaucho
De este amado Rio Grande

Viejo sombrero aquí en el pecho
La nostalgia me destruye
Y mi corazón duele
Al final de tantas andanzas
Te guardé como recuerdo
Igual que una medalla de héroe
Entonces te colgué
Justo encima del baúl
Barbicacho de cuero crudo
Eres viejo como mi rostro
Para no tener disgusto
Te llevaré como estampa
Para ser corona en la tumba
De este gaucho auténtico

Escrita por: Paulo Siqueira