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Pared de Pie

Peão Brasil e Parentinho

Parede de Pé

Passando a velha fazenda
Aonde eu morei um dia
A colônia abandonada
Ali nada mais existia
As casas todas caída
O resto o mato encobria
O velho entulho eu virava
Pra ver se acaso eu achava
Minha velha moradia

Tomei por base a lagoa
A moita de igarapé
Onde ficava a morada
Do carreiro Josué
Senti no campo do peito
Saudade fazendo olé
Minha vista embaraçava
Da velha casa restava
Só uma parede de pé

Olhando os velhos vestígios
Fiquei prestando atenção
Tinha ali uma mancha escura
De fumaça do lampião
Era a parede do quarto
Do lado do varandão
Na ponta da moradia
Lugar aonde dormia
Só eu e os meus irmão

Achei um prego ainda torto
Enferrujado ali no chão
Onde eu pendurava um quadro
Da primeira comunhão
Perto de Nossa Senhora
Junto com São Sebastião
Ainda vejo o carneirinho
Com o seu pelo branquinho
No colo de São João

Velha parede de pé
Deformada e corroída
Suas marcas são minhas marcas
Da saudade dolorida
Você é a espinha dorsal
Da velha casa caída
Toda coberta de mato
É o retrato do retrato
Do que foi a minha vida

Pared de Pie

Pasando por la vieja hacienda
Donde viví un día
La colonia abandonada
Allí ya no existía nada
Las casas todas caídas
El resto cubierto por la maleza
Revolvía los viejos escombros
Para ver si acaso encontraba
Mi antigua morada

Tomé como referencia la laguna
El matorral del arroyo
Donde se encontraba la morada
Del carretero Josué
Sentí en el campo del pecho
La nostalgia haciendo alarde
Mi vista se nublaba
De la antigua casa quedaba
Solo una pared en pie

Mirando los viejos vestigios
Permanecí atento
Había allí una mancha oscura
De humo de la lámpara
Era la pared del cuarto
Al lado del corredor
En la punta de la morada
Lugar donde dormíamos
Solo yo y mis hermanos

Encontré un clavo aún torcido
Oxidado allí en el suelo
Donde colgaba un cuadro
De la primera comunión
Cerca de Nuestra Señora
Junto a San Sebastián
Todavía veo al corderito
Con su pelaje blanco
En el regazo de San Juan

Vieja pared en pie
Deformada y corroída
Tus marcas son mis marcas
De la nostalgia dolorosa
Eres la columna vertebral
De la antigua casa derruida
Totalmente cubierta de maleza
Eres el reflejo del reflejo
De lo que fue mi vida

Escrita por: José Caetano Erba / Parentinho