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Sueño Pesado

Peão Brasil e Parentinho

Sono Pesado

Um dia curtindo meu sono pesado
Chamei o bragado pra perto de mim
Nele pus a sela, peitoral de brilho
E o coxinilho da cor de marfim

Abri a porteira da enorme invernada
E por uma estrada por lá me enfiei
Lembrando a infância e curtindo sozinho
Pra aqueles caminhos de novo passei

Passei a porteira do velho riacho
Que fica lá embaixo margeando o grotão
Passei contornando a velha lagoa
Olhando as taboas forrando o varjão

Cheguei na mangueira grandona e cercada
Que fica encostada no velho galpão
No esteio lá em cima eu vi pendurado
O laço quebrado e o velho lampião

Corri os meus olhos no piquete inteiro
Eu vi os bezerros querendo mamar
E o retireiro molhado de orvalho
Com muito cuidado pros bois separar

Olhando as casinhas formando fileira
A colônia inteira na frente eu cruzei
E bem lá na frente bem junto a estradinha
Na velha igrejinha entrei e rezei

Igual remexendo nas rédeas da crina
A coberta fina por cima eu puxei
E ali pensativo golpeando o soluço
Na cama de bruços calado eu chorei

Parece que eu via meu velho bragado
Me olhando assustado querendo inclinar
Querendo dizer, meu velho não chora
Que os tempos de outrora jamais voltará

Sueño Pesado

Un día disfrutando de mi sueño pesado
Llamé al valiente para que se acercara a mí
Le puse la montura, pechera brillante
Y el cojinillo del color del marfil

Abrí la tranquera del enorme potrero
Y por un camino me adentré
Recordando la infancia y disfrutando en soledad
Por esos caminos de nuevo pasé

Pasé la tranquera del viejo arroyo
Que queda abajo bordeando el barranco
Pasé rodeando la vieja laguna
Viendo las totoras cubriendo la vega

Llegué al corral grande y cercado
Que está pegado al viejo galpón
En el poste arriba vi colgado
El lazo roto y el viejo farol

Recorrí con la mirada todo el potrero
Viendo los terneros queriendo mamar
Y el peón mojado de rocío
Con mucho cuidado para separar a los bueyes

Mirando las casitas formando fila
Toda la colonia crucé por delante
Y allá adelante, junto al caminito
Entré en la vieja iglesia y recé

Igual que ajustando las riendas de la crin
La manta fina por encima tiré
Y allí pensativo, sofocando el sollozo
En la cama boca abajo, en silencio lloré

Parecía que veía a mi valiente
Mirándome asustado queriendo inclinarse
Queriendo decir, mi viejo no llores
Que los tiempos de antaño nunca volverán

Escrita por: Caetano Erba / Parentinho