Velho Carreiro
Velho carreiro, cadê o carro de boi?
Velho carreiro, cadê o seu gibão?
Velho carreiro, cadê o carreadô?
Cadê a canga, os canzis e o ferrão?
Velho carreiro, até os bois de carro
Foram pro corte à pedido do patrão
Velho carreiro, o sertão emudeceu
Não tem vai boi, não tem gemido de cocão
Só a lembrança emparelhada é que ficou
A velha canga a enxurrada arrastou
O velho carro apodreceu lá no relento
Na cabeceira do velho carreador
Com o progresso a tradição se acabou
Quanta saudade do bom tempo que passou
Sem o carreiro o sertão silenciou
Tenho a certeza que ele também chorou
Velho carreiro, no sertão não tem mais nada
Os curiangos cantam triste nas quebradas
Não tem viola nas noites enluaradas
Nem seresteiros cantando pra sua amada
Velho carreiro, tem sua marca registrada
Foi pioneiro levando carga pesada
Onde o asfalto cobre a terra das estradas
Passou carreiro, boi de carro e boiada
Viejo Carretero
Viejo carretero, ¿dónde está el carro de bueyes?
Viejo carretero, ¿dónde está tu chaleco?
Viejo carretero, ¿dónde está el camino?
¿Dónde está el yugo, las cadenas y el aguijón?
Viejo carretero, hasta los bueyes de carro
Fueron al matadero por orden del patrón
Viejo carretero, el sertón se ha callado
No hay 'vai boi', no hay gemido de cocón
Solo el recuerdo emparejado es lo que quedó
La vieja canga la arrastró la corriente
El viejo carro se pudrió allá a la intemperie
En la cabecera del viejo carreador
Con el progreso la tradición se acabó
Cuánta nostalgia del buen tiempo que pasó
Sin el carretero el sertón se silenció
Estoy seguro de que él también lloró
Viejo carretero, en el sertón ya no hay nada
Los curiangos cantan tristes en los barrancos
No hay guitarra en las noches de luna llena
Ni serenatas cantando para su amada
Viejo carretero, tiene su marca registrada
Fue pionero llevando carga pesada
Donde el asfalto cubre la tierra de las carreteras
Pasó carretero, buey de carro y ganado
Escrita por: Nenzico / Vilino