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Última Boiada

Peão Carreiro e Silvano

Última Boiada

Sobre o cavalo, a passo lento
No pensamento vai guardando essas paisagens
Sua boiada, vai conduzindo
Se despedindo do estradão nessa viagem
Lutou com o tempo, e foi vencido
Pros destemidos, também chega a idade
Já nasceu forte, pra essa lida
Jamais na vida teve infância ou mocidade

Vai, vai boiadeiro
Tocando os bois nessa última jornada
Vai, vai boiadeiro
Ver sua história se acabar no fim da estrada

Os bois caminham, obedientes
Vão inocentes encontrar o seu destino
E o boiadeiro vai revivendo
Tantas histórias que viveu nesses caminhos
No seu berrante, das notas tristes
Compõe chorosas melodias e lamentos
Com os mugidos vão doer tanto
Vão derramando sobre o pó seu sentimentos

Vai, vai boiadeiro
Tocando os bois nessa última jornada
Vai, vai boiadeiro
Ver sua história se acabar no fim da estrada

As folhas secas, cheias de orvalho
Saltam dos galhos pra brincar na ventania
Redemoinhos, Sol e poeira
São companheiros do peão nas pradarias
Serão lembranças, de um ofício
Que o progresso tirou toda serventia
O boiadeiro, e a boiada
Recordações pra se ver em fotografias

Última Boiada

Sobre el caballo, al paso lento
En su mente va guardando estos paisajes
Su ganado, va conduciendo
Despidiéndose del camino en este viaje
Luchó contra el tiempo, y fue vencido
Para los valientes, también llega la vejez
Ya nació fuerte, para este trabajo
Nunca en la vida tuvo infancia o juventud

Ve, ve vaquero
Guiando el ganado en esta última jornada
Ve, ve vaquero
Ver su historia terminar al final del camino

Los bueyes caminan, obedientes
Van inocentes a encontrar su destino
Y el vaquero va reviviendo
Tantas historias que vivió en estos caminos
En su cuerno, con notas tristes
Compone melodías y lamentos llorosos
Con los mugidos van a doler tanto
Van derramando sobre el polvo sus sentimientos

Ve, ve vaquero
Guiando el ganado en esta última jornada
Ve, ve vaquero
Ver su historia terminar al final del camino

Las hojas secas, llenas de rocío
Saltan de las ramas para jugar en la ventisca
Remolinos, Sol y polvo
Son compañeros del peón en las praderas
Serán recuerdos, de un oficio
Que el progreso ha vuelto obsoleto
El vaquero, y el ganado
Recuerdos para verse en fotografías

Escrita por: Carreiro Filho / Ney