Verdade
Felicidade não tem código de barras,
Nem os sonhos têm preço, nem desejo tem amarras.
Os poetas não se vendem em plástico,
Nem um mundo sem prazer será fantástico.
Os deuses não se fazem de esmola,
Liberdade não se aprende só na escola,
Uma alma sem sexo não existe
Como um louco sem loucura não resiste,
Futuro não é chá de caridade,
Só o teu amor, por ser amor, é de verdade.
Um muro por mais alto não separa
Os que têm fome dos que têm a seara.
A cidade virou hiper-mercado,
Se é da favela, não é gente, é malcriado.
O dono do mundo sentiu-se mal,
Não o deixam destruir a selva tropical.
Vendem-se meninos nas escadas do metrô,
Fome é prisão, humilhação de quem roubou,
O dinheiro transformou-se na vontade,
Só o teu amor, por ser amor, é de verdade.
O crucifixo é da cor do cinescópio,
Heroína, cocaína, odor de ópio.
A vizinha estreou-se na TV,
Matou o marido sem saber porquê.
A dor já se vende em vídeo-cassete,
Beatas masturbam-se por Internet,
Sexo compra-se pelos jornais,
Videntes criam novos pecados mortais,
Quarenta índios morreram hoje ao fim da tarde,
Só o teu amor, por ser amor, é de verdade.
Pedro Abrunhosa - Voz, piano.
Paulo Pinto - Guitarras.
Alexandre Almeida - Guitarra.
Cláudio Souto - Piano.
João André - Baixo.
Edgar Caramelo - Sax Tenor.
Orlando Costa - Percussões.
Leonardo Reis - Percussões.
Ivãzinho - Percussões.
Ian Humphries - Violino.
Charles Mutter - Violino.
Nic Pendelbury - Viola.
Philip Sheppard - Violoncelo.
Verdad
La felicidad no tiene código de barras,
Ni los sueños tienen precio, ni el deseo tiene ataduras.
Los poetas no se venden en plástico,
Ni un mundo sin placer será fantástico.
Los dioses no se hacen de limosna,
La libertad no se aprende solo en la escuela,
Un alma sin sexo no existe
Como un loco sin locura no resiste,
El futuro no es una limosna de té,
Solo tu amor, por ser amor, es verdad.
Un muro por más alto que sea no separa
A los que tienen hambre de los que tienen la cosecha.
La ciudad se convirtió en un hipermercado,
Si es de la favela, no es gente, es malcriado.
El dueño del mundo se sintió mal,
No lo dejan destruir la selva tropical.
Se venden niños en las escaleras del metro,
El hambre es prisión, humillación de quien robó,
El dinero se convirtió en la voluntad,
Solo tu amor, por ser amor, es verdad.
El crucifijo es del color del cinescopio,
Heroína, cocaína, olor a opio.
La vecina debutó en la TV,
Mató al marido sin saber por qué.
El dolor ya se vende en videocasete,
Las beatas se masturban por Internet,
El sexo se compra en los periódicos,
Los videntes crean nuevos pecados mortales,
Cuarenta indígenas murieron hoy al final de la tarde,
Solo tu amor, por ser amor, es verdad.
Pedro Abrunhosa - Voz, piano.
Paulo Pinto - Guitarras.
Alexandre Almeida - Guitarra.
Cláudio Souto - Piano.
João André - Bajo.
Edgar Caramelo - Saxofón Tenor.
Orlando Costa - Percusiones.
Leonardo Reis - Percusiones.
Ivãzinho - Percusiones.
Ian Humphries - Violín.
Charles Mutter - Violín.
Nic Pendelbury - Viola.
Philip Sheppard - Violonchelo.
Escrita por: Pedro Abrunhosa / Andrea Echeverri