Testamento de Um Poeta
Viola minha viola
Da cor do nascer do sol
Nasceu lá nas matas virgens
Enlaçada por cipós.
O seu tronco bem crescido
Enfeitado pelos nós
Da madeira cor de fogo
E da casca carijó.
Quantas vezes em seus galhos
Lindas aves ví pousar
Como você pousa agora
Em meu peito a cantar.
Cada um tem seu destino,
Cada um tem seu lugar.
Você foi sacrificada
Para hoje me alegrar.
Pedacinho de madeira,
Pedaço do meu viver.
Não te deixarei sozinha,
Nem mesmo quando eu morrer.
Não tenho nenhum herdeiro,
Para cuidar de você
Iremos juntos pra campa,
Deste mundo emudecer.
Seu som e a minha voz,
Neste mundo vão ficar.
Eu estou só de passagem,
Qualquer dia vou mudar.
Só sei que a minha voz,
Um dia vai silenciar
Mesmo estando em silêncio,
Ao meu lado vai ficar.
Testamento de un Poeta
Viola mi guitarra
Del color del amanecer
Nació en los bosques vírgenes
Enlazada por lianas.
Su tronco bien crecido
Adornado por nudos
De madera color fuego
Y de corteza carijó.
Cuántas veces en sus ramas
Hermosas aves vi posar
Como ahora te posas
En mi pecho a cantar.
Cada uno tiene su destino,
Cada uno tiene su lugar.
Fuiste sacrificada
Para alegrarme hoy.
Pedacito de madera,
Parte de mi existir.
No te dejaré sola,
Ni siquiera cuando muera.
No tengo herederos,
Para cuidar de ti
Iremos juntos a la tumba,
De este mundo enmudecer.
Tu sonido y mi voz,
En este mundo quedarán.
Yo estoy solo de paso,
Cualquier día me iré.
Solo sé que mi voz,
Un día se silenciará
Aunque esté en silencio,
A mi lado quedará.
Escrita por: Pedro Carreiro