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Fidera

Pedro Falcão

Fidera

Entre os olhos da casa grande
E as preces da capela
La vem ela
Com sangue negro
Nos punhos da mão
Eu sei que tu és
Um leal coronel, Fidera!
E os teus olhos inundam
O Seco do mar do sertão

Tu és a ferida que lampião não curou
Corpo que o boqueirão já banhou

Entre o medo e a liberdade
Entre as bordas
Da tua saia amarela
Estão os olhos de um homem
Que um dia se refugiou
Por entre as veredas
Fugindo do estribo das celas
Tu es lenda, é mito
No Canto de um cantador

Tu és a ferida que lampião não curou
Corpo que o boqueirão já banhou
Tu és a ferida que lampião não curou
Corpo que o boqueirão já banhou
Que o o boqueirão já banhou

Foi além do cangaço
E dos engenhos
Do bacamarte nas mãos
De um jagunço dominador
Por todas as dores
Que eu chorei no cais
As lendas vibram demais
Nas cordas no canto de um cantador

Tu és a ferida que lampião não curou
Corpo que o boqueirão já banhou
Que o o boqueirão já banhou

Tu és a ferida que lampião não curou
Corpo que o boqueirão já banhou
Que o o boqueirão já banhou

Fidera

Entre los ojos de la casa grande
Y las plegarias de la capilla
Allá viene ella
Con sangre negra
En los puños de la mano
Sé que eres
Un leal coronel, Fidera
Y tus ojos inundan
El Seco del mar del sertón

Eres la herida que Lampião no curó
Cuerpo que el boqueirão ya bañó

Entre el miedo y la libertad
Entre los bordes
De tu falda amarilla
Están los ojos de un hombre
Que un día se refugió
Por entre los senderos
Huyendo del estribo de las celdas
Eres leyenda, es mito
En el canto de un trovador

Eres la herida que Lampião no curó
Cuerpo que el boqueirão ya bañó
Eres la herida que Lampião no curó
Cuerpo que el boqueirão ya bañó
Que el boqueirão ya bañó

Fue más allá del cangaço
Y de los ingenios
Del bacamarte en las manos
De un jagunço dominador
Por todos los dolores
Que lloré en el muelle
Las leyendas vibran demasiado
En las cuerdas en el canto de un trovador

Eres la herida que Lampião no curó
Cuerpo que el boqueirão ya bañó
Que el boqueirão ya bañó

Eres la herida que Lampião no curó
Cuerpo que el boqueirão ya bañó
Que el boqueirão ya bañó

Escrita por: Pedro Falcão