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Tengo un debilidad por ti

Pedro Moutinho

Eu Tenho Um Fraquinho Por Ti

Eu tenho um fraquinho por ti
Tu não me dás atenção
Tu não me passas cartão
Quando me ponho a teu lado
Tremo nervoso de agrado
E meto os pés pelas mãos
Tu vais gozando um bocado
A beber vinho tostão
Eu com o discurso engasgado
Fico a um canto, que arrelia
De toda a cervejaria
Onde vais rasgar a noite
Se te olho com ternura
Olhas-me do alto da burra
Que mais parece um açoite
É um susto um arrepio
Que me malha em ferro frio

Eu tenho um fraquinho por ti
Que me vai de lés a lés
Tu dás-me sempre com os pés
Quando me atiro enamorado
Num estilo desajeitado
Disfarço em bagaço e café
Tu fumas o teu cruzado
E fazes troça, pois é
Já tenho o caldo entornado
Esqueces-me da noite p'ro dia
Em alegre companhia
De batidas e rodadas
Tu ficas nas sete quintas
Marimbas, estás-te nas tintas
P'ra que eu ande às três pancadas
Basta um toque sedutor
Eu cá sou um pinga-amor

Eu tenho um fraquinho por ti
Que me abrasa o coração
Quase me arrasa a razão
A tua risada rasteira
Põe-me de rastos, à beira
Do enfarte da congestão
Encharco-me em chá de cidreira
Mofas de mim atiras-te ao chão
Zombando à tua maneira
Lá fazes a despedida
Ao grupo que vai de saída
Dos amigos da trindade
Mas no fim da noite, à noitinha
Tu ficas triste e sozinha
À procura de amizade
E como é costume teu
Chamas o parvo que sou eu

Afino uma voz de tenor
Ensaio um ar duro de macho
Quando estás na mó de baixo
Quero ver-te arrependida
Mas numa manobra atrevida
Rufia, muito mansinha
Dás-me um beijo e uma turrinha
Que me põe num molho num cacho
Estremeço com pele de galinha
E gosto de ti trapaceira
Da tua piada certeira
Do teu aparte final
Do teu jeito irreverente
Do teu aspecto contente
Do teu modo bestial
Noutra palavra mais quente

Tengo un debilidad por ti

Tengo un debilidad por ti
No me prestas atención
No me haces caso
Cuando estoy a tu lado
Tiembla nervioso de placer
Y meto la pata
Te diviertes un poco
Tomando vino barato
Yo con el discurso trabado
Me quedo en un rincón, qué fastidio
De todo el bar
Donde vas a pasar la noche
Si te miro con ternura
Me miras desde lo alto
Que más parece un castigo
Es un susto, un escalofrío
Que me golpea en frío

Tengo un debilidad por ti
Que me recorre de arriba abajo
Siempre me pisas
Cuando me lanzo enamorado
De manera torpe
Disimulo con aguardiente y café
Tú fumas tu cigarrillo
Y te burlas, así es
Ya tengo el lío armado
Me olvidas de la noche al día
En alegre compañía
De tragos y rondas
Tú te quedas en tu mundo
No te importa un comino
Que yo ande a los golpes
Basta un toque seductor
Yo aquí soy un tonto enamorado

Tengo un debilidad por ti
Que me quema el corazón
Casi me arrasa la razón
Tu risa burlona
Me deja destrozado, al borde
Del infarto de la congestión
Me empapo en té de cidra
Te burlas de mí, me tiras al suelo
Burlándote a tu manera
Ahí haces la despedida
Al grupo que se va de salida
De los amigos de la trinidad
Pero al final de la noche, al anochecer
Te quedas triste y sola
Buscando amistad
Y como es tu costumbre
Llamas al tonto que soy yo

Afinando una voz de tenor
Ensayo un aire duro de macho
Cuando estás deprimida
Quiero verte arrepentida
Pero en un movimiento atrevido
Pillina, muy mansa
Me das un beso y un empujoncito
Que me deja hecho un lío
Me estremezco con piel de gallina
Y me gustas, tramposa
De tu chiste certero
De tu comentario final
De tu manera irreverente
De tu aspecto contento
De tu modo bestial
En otras palabras más calientes

Escrita por: Fausto