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Brinde

Pedro Vulpe

Brinde

Por todos os dias que mal começaram
Por todas as vezes que eles nem chegaram
Por tantos outros que foram desperdiçados

Em todas as ruas que eu desviei
Em cada segredo que eu contei
Em todo amor que eu tive, ali fiquei

Eu nunca brinquei com a verdade dos outros
Mas também não levei a sério
Se o dia me foge em palavras lançadas
Onde eu falo ou calo nesse mistério?

Das coisas aprendi a não ser refém
Aos berros: Garoto, é melhor ser alguém!
Mas se consigo encarar o espelho nos olhos, tudo bem

Diluo meu tempo dentro do café
Traço um destino a favor da maré
Se existe um jeito mais fácil, me diz como é

Durante a semana, rascunho de vida
Piada sem graça nenhuma
Mas brindo as horas que passo na cama
Haja domingo pra tanta segunda!

Conheço os passos que dei
Pra onde eu fui, já não sei

Brinde

Por todos los días que apenas comenzaron
Por todas las veces que ni siquiera llegaron
Por tantos otros que fueron desperdiciados

En todas las calles que evité
En cada secreto que conté
En todo amor que tuve, ahí me quedé

Nunca jugué con la verdad de los demás
Pero tampoco lo tomé en serio
Si el día se me escapa en palabras lanzadas
¿Dónde hablo o callo en este misterio?

De las cosas aprendí a no ser rehén
A gritos: ¡Chico, es mejor ser alguien!
Pero si logro enfrentar el espejo en los ojos, está bien

Diluyo mi tiempo dentro del café
Trazo un destino a favor de la marea
Si hay una manera más fácil, dime cómo es

Durante la semana, borrador de vida
Chiste sin gracia alguna
Pero brindo por las horas que paso en la cama
¡Que haya domingo para tanta lunes!

Conozco los pasos que di
A dónde fui, ya no sé

Escrita por: Pedro Vulpe