395px

La Carta de Mi Madre

Poeta J Sousa

A Carta da Minha Mãe

Já fazia muito tempo
Que eu havia deixado
O nordeste brasileiro
Meu torraozinho amado
Deixando então pra trás
Meus irmãos e os maus pais
E cada amigo prezado

Certo dia eu estava
Escorado em meu portão
Cabisbaixo e pensando
No meu querido torrão
Quando o carteiro chegou
E sorridente entregou
Uma carta em minha mão

Aquela cartinha era
Da minha mamãe querida
Eu notei pela escrita
Que ela escreveu comovida
Sem nenhuma alegria
Com a saudade que sentia
Depois da minha partida

A carta dizia assim
Ó meu filhinho amado
Depois que você partiu
Aqui tá tudo mudado
Depois da sua ausência
Eu vivo sem paciência
E muito já tenho chorado

Depois da sua partida
Tudo aqui entristeceu
O seu pai que era alegre
A tristeza o venceu
Ele chorou muitas vezes
E hoje faz quatro meses
Que o seu pai faleceu

Com a morte de seu pai
Eu fiquei desnorteada
Tudo enegreceu depois
Que fiquei enviuvada
Eu vivo triste por que
Sem seu pai e sem você
A vida não vale nada

Na sua ausência meu filho
O seu cachorro trigueiro
Com o qual você caçava
Ficou triste o tempo inteiro
Correu e se ausentou
Dentro duma mata entrou
E não voltou mais ao terreiro

Depois que você meu filho
De casa ficou além
O cavalo que você
Zelava e queria bem
Depois da sua partida
Não procurou mais comida
De triste morreu também

Meu filho eu estou sozinha
Sem ninguém pra me ajudar
Em casa não faço nada
Na roça não vou lutar
Se você não voltar logo
Na depressão me afogo
E também vou me acabar

Por você ser filho único
A solidão continua
Me maltratando de forma
Dolorosa, dura e crua
Vivo de cabeça tonta
Volte para tomar conta
Do restinho de mão sua

Quando acabei de ler
A carta de mamãezinha
Eu fui comprar passagem
Peguei um ônibus de linha
Com mamãe agora estou
Viver ao seu lado eu vou
Dentro da nossa casinha

Agora eu vivo feliz
Mamãe também vive em paz
O que faltava pra ela
Eu não deixo faltar mais
Hoje eu não tenho empecilho
Pois só é feliz o filho
Que volta a casa dos pais

La Carta de Mi Madre

Já fazia mucho tiempo
Que había dejado
El noreste brasileño
Mi querido terruñito
Dejando atrás
A mis hermanos y los malos padres
Y a cada amigo querido

Un día estaba
Apoyado en mi portón
Cabizbajo y pensando
En mi querido terruño
Cuando llegó el cartero
Y sonriente entregó
Una carta en mi mano

Esa cartita era
De mi mamita querida
Lo noté por la escritura
Que escribió conmovida
Sin ninguna alegría
Con la añoranza que sentía
Después de mi partida

La carta decía así
Oh mi querido hijo
Después que te fuiste
Aquí todo cambió
Después de tu ausencia
Vivo impaciente
Y mucho he llorado

Después de tu partida
Todo aquí entristeció
Tu padre que era alegre
La tristeza lo venció
Lloró muchas veces
Y hoy hace cuatro meses
Que tu padre falleció

Con la muerte de tu padre
Quedé desorientada
Todo se oscureció después
De quedar viuda
Vivo triste porque
Sin tu padre y sin ti
La vida no vale nada

En tu ausencia hijo mío
Tu perro trigueño
Con el que cazabas
Estuvo triste todo el tiempo
Corrió y se ausentó
Dentro de un bosque entró
Y no volvió al corral

Después que tú hijo mío
De casa te fuiste
El caballo que cuidabas
Y querías bien
Después de tu partida
No buscó más comida
De triste murió también

Hijo mío estoy sola
Sin nadie que me ayude
En casa no hago nada
En el campo no peleo
Si no vuelves pronto
En la depresión me ahogo
Y también me acabo

Por ser hijo único
La soledad continúa
Maltratándome de manera
Dolorosa, dura y cruda
Vivo mareada
Vuelve para hacerte cargo
Del poquito que queda de tu madre

Cuando terminé de leer
La carta de mamita
Fui a comprar pasaje
Tomé un autobús de línea
Ahora estoy con mamá
Viviendo a su lado
Dentro de nuestra casita

Ahora vivo feliz
Mamá también vive en paz
Lo que le faltaba a ella
Yo no dejo que falte más
Hoy no tengo obstáculos
Porque solo es feliz el hijo
Que vuelve a la casa de los padres

Escrita por: Poeta J. Sousa