A Prostituta
A mulher que é prostituta
De ninguém não tem respeito
Ninguém lhe trata direito
Devido a sua conduta
Se chamar ninguém escuta
Com a mínima atenção
Da sua situação
Ninguém não se compadece
A prostituta padece
Tremenda humilhação
Com qualquer um ela deita
E faz sexo sem ter amor
Satisfaz o sedutor
Mas não fica satisfeita
Sem querer se sujeita
As vezes por um tostão
Que também quando lhe dão
Primeiro lhe aborrece
Para poder saciar
A fome ingrata e crua
Vende sua carne nua
Na cama do lupanar
Se obriga a se entregar
A qualquer um cidadão
De qualquer um a região
Que na frente lhe aparece
Ela não é respeitada
Do jeito que as outras são
Na sua humilhação
Ela é muito criticada
Recebe muita piada
Mas não faz revidação
Pra pegar na sua mão
Ninguém jamais aparece
A casa que ela mora
Coitada nada mais é
Que um quarto do cabaré
Onde a fome lhe devora
Aparece toda hora
Macho feio que só o cão
Que lhe leva pro colchão
Se serve e desaparece
Seu consolo é a cigarro
Seu alimento a cachaça
Da sua grande desgraça
Todo mundo tira um sarro
Grito, brado e esparro
Dão nela sem compaixão
Até mesmo um ladrão
Da prostituta escarnece
Do pecado ela é sujeita
Praticando ato feio
Abraça o marido alheio
Leva pra cama e se deita
A qualquer home aceita
Gostando dele ou não
Abraço e aperto de mão
Ninguém não lhe oferece
Falta quem lhe dê ajuda
Sobra quem lhe dê porrada
Por isso vive ferrada
E pra melhor nunca muda
Não existe quem lhe acuda
Quando está em aflição
Fica só na solidão
E sua tristeza cresce
Não casa pra ter marido
Não ama pra ser amada
Não é acariciada
Porque não tem um querido
Vende seu corpo despido
Sem a menor sensação
E até de alimentação
Muitas das vezes carece
Lhe chamam mulher à toa
E também mulher da vida
Ninguém lhe chama querida
Nem o seu erro perdoa
Moça, mulher e coroa
Negam a ela o perdão
Com isso seu coração
De tristeza adoece
Pra não morrer na miséria
Da forma mais infeliz
Nos cabarés do país
Vende a sua matéria
Devido ela não ser séria
E nem ter reputação
Sofre descriminação
Até de quem não conhece
Portanto é muito comum
Ela não ser respeitada
Devido não ser casada
É mulher de qualquer um
Não sente prazer nenhum
Na vida que leva não
Mas essa humilhação
Ela também não merece
La Prostituta
La mujer que es prostituta
De nadie no tiene respeto
Nadie la trata bien
Debido a su conducta
Si llama, nadie escucha
Con la mínima atención
De su situación
Nadie se compadece
La prostituta padece
Tremenda humillación
Con cualquiera se acuesta
Y hace sexo sin amor
Satisface al seductor
Pero no queda satisfecha
Sin querer se somete
A veces por un centavo
Que también, cuando se lo dan
Primero la molesta
Para poder saciar
El hambre ingrata y cruda
Vende su carne desnuda
En la cama del burdel
Se ve obligada a entregarse
A cualquier ciudadano
De cualquier región
Que se le acerque
No es respetada
Como las demás
En su humillación
Es muy criticada
Recibe muchas burlas
Pero no responde
Para tomar su mano
Nadie aparece
La casa donde vive
Pobre, no es más
Que una habitación del burdel
Donde el hambre la devora
Aparece a toda hora
Hombres feos como el diablo
Que la llevan al colchón
La usan y desaparecen
Su consuelo es el cigarrillo
Su alimento es el alcohol
De su gran desgracia
Todos se burlan
Gritos, insultos y escándalos
Le dan sin compasión
Incluso un ladrón
Se burla de la prostituta
Es sujeta al pecado
Practicando actos feos
Abraza al marido ajeno
Lo lleva a la cama y se acuesta
A cualquier hombre acepta
Le guste o no
Abrazo y apretón de manos
Nadie le ofrece
Falta quien le ayude
Sobra quien le golpee
Por eso vive mal
Y nunca mejora
No hay quien la socorra
Cuando está afligida
Se queda sola
Y su tristeza crece
No se casa para tener marido
No ama para ser amada
No es acariciada
Porque no tiene a nadie
Vende su cuerpo desnudo
Sin la menor emoción
Y a veces carece
Incluso de alimento
La llaman mujer fácil
Y también mujer de la vida
Nadie la llama querida
Ni perdona su error
Chica, mujer y anciana
Le niegan el perdón
Con eso su corazón
Se enferma de tristeza
Para no morir en la miseria
De la forma más triste
En los burdeles del país
Vende su cuerpo
Por no ser seria
Y no tener reputación
Sufre discriminación
Incluso de quienes no conoce
Por lo tanto es muy común
Que no sea respetada
Por no estar casada
Es mujer de cualquiera
No siente placer
En la vida que lleva
Pero esta humillación
Ella tampoco la merece
Escrita por: J. SOUSA