Meu Boi de Carro Falou
Eu vendi meu boi de carro
Pra umas contas pagar
E quando o comprador
Veio o meu boi buscar
Meu boi falou umas coisas
Que me fez até chorar
O meu boi olhou pra mim
E começou a dizer
Pra você eu trabalhei
Sem nunca preguiça ter
E só porque eu fiquei velho
Vai agora me vender?
Enquanto eu trabalhava
Pra você sem desadouro
Você cortava meu lombo
Com um chicote de couro
E agora pra piorar
Me vende pro matadouro?
Eu trabalhei pra você
Mesmo com o corpo doido
E você me açoitando
Com um chicote de comprido
E agora vai me vender
Por que estou envelhecido?
Quando eu puxava o carro
Nas ladeiras do sertão
Você não me ajudava
Subir as ladeiras não
Fazia era furar
Meu corpo com um ferrão
E agora que estou velho
Sem força e sem vigor
Você sem ter piedade
Me faz esse grande horror
De me vender por dinheiro
Inda mais pra o matador?
Vão me meter na cabeça
Uma marreta pesada
Depois na minha sangria
Uma terrível facada
E você sabendo disso
Não está sentindo nada?
E depois que eu tiver morto
Vão o meu couro tirar
Em seguida o meu corpo
Vão em pedaços cortar
Depois vender minha carne
Para o povo devorar
Trabalhei puxando carro
Pra sustentar sua vida
E agora você me vendo
De maneira tão fingida
Pra minha vida tirarem
De forma bem dolorida
Vou direto ao matadouro
Pra ser vitima do machado
E você meu velho dono
É o único culpado
Mas não se preocupe
Por mim estás perdoado
Quando o boi disse essas coisas
Eu falei pra o comprador
Amigo por caridade
Me desculpe por favor
Pois eu não vou vender mais
O meu boi trabalhador
O comprador era um homem
Que tinha muito humildade
Me devolveu o dinheiro
E agora na verdade
Meu boi vai morrer de velho
Na minha propriedade
Mi Buey de Carreta Habló
Vendí mi buey de carreta
Para pagar unas cuentas
Y cuando el comprador
Vino a buscar a mi buey
Mi buey dijo unas cosas
Que me hicieron llorar
Mi buey me miró
Y comenzó a decir
Para ti trabajé
Sin nunca tener pereza
¿Y solo porque envejecí
Ahora me vas a vender?
Mientras trabajaba
Para ti sin descanso
Tú cortabas mi lomo
Con un látigo de cuero
Y ahora para empeorar
¿Me vendes al matadero?
Trabajé para ti
Aunque mi cuerpo doliera
Y tú me azotabas
Con un látigo largo
¿Y ahora me vendes
Porque estoy envejecido?
Cuando jalaba la carreta
En las colinas del sertón
Tú no me ayudabas
A subir las colinas
Sino que me hacías sangrar
Con un aguijón
Y ahora que estoy viejo
Sin fuerzas ni vigor
Tú, sin piedad
Me haces este gran horror
De venderme por dinero
¿Y aún más al matador?
Me golpearán la cabeza
Con un martillo pesado
Luego en mi sangre
Una terrible puñalada
Y tú, sabiendo esto
¿No sientes nada?
Y después de muerto
Me quitarán la piel
Luego cortarán mi cuerpo
En pedazos
Y venderán mi carne
Para que la gente devore
Trabajé jalando la carreta
Para sostener tu vida
Y ahora tú me vendes
De manera tan fingida
Para que me quiten la vida
De forma tan dolorosa
Ir directo al matadero
Para ser víctima del hacha
Y tú, mi viejo dueño
Eres el único culpable
Pero no te preocupes
Por mí, estás perdonado
Cuando el buey dijo estas cosas
Le dije al comprador
Amigo, por caridad
Por favor, discúlpame
Porque ya no voy a vender
A mi buey trabajador
El comprador era un hombre
Muy humilde
Me devolvió el dinero
Y ahora, en verdad
Mi buey morirá de viejo
En mi propiedad
Escrita por: Poeta J. Sousa