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Punta Volteada

Poeta J Sousa

Ponta Virada

Quando eu canto repente
O mundo todo estremece
Cantador que aparece
Pra me enfrentar de frente
Sai correndo certamente
Ao ouvir minha toada
Eu faço ser respeitada
A viola que carrego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Eu venci um repentista
Que se dizia banzão
Quando viu o meu rojão
Saiu correndo na pista
Esqueceu a entrevista
Que pra ela foi marcada
Errou também a estrada
Saiu tombando igual cego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

No festival que eu entrar
Faço a rima correta
E duvido outro poeta
Esse festival ganhar
Cantador que me enfrentar
Sai com a cara quebrada
Volta pro cabo da enxada
Todo poeta que eu pego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Com o dom que Deus me deu
Na profissão do repente
Já bati em muita gente
Ninguém nunca me bateu
Pro rei do verso ser eu
Não está faltando nada
Cantoria é uma estrada
Na qual sozinho eu trafego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Já cantei na Alemanha
Na Austrália e na Grécia
No Chile e na suécia
No Japão e na Espanha
No país da grã-bretanha
Fiz mais de uma baionada
Poesia bem rimada
Em qualquer país entrego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Nos caminhos do repente
Eu não temo ameaça
E nem um poeta passa
Um palmo na minha frente
Repentista prepotente
Que seguir minha jornada
Enquanto uma tombada
Eu não lhe der não sossego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Quem do meu lado se senta
Com a viola sonora
Garanto que meia hora
Ele não me aguenta
Ele sai torcendo a venta
Com a viola ensacada
E me dizendo: Camarada
Você é forte eu não nego!
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Meu nome de contador
Tá sempre nas principais
Páginas dos grandes jornais
Daqui e do exterior
Meu repente tem valor
E a todo mundo agrada
E é a essa abençoada
Profissão que eu me apego
No repente eu sou prego
Batido e ponta virada

Punta Volteada

Cuando canto de repente
El mundo entero tiembla
El cantador que aparece
Para enfrentarme de frente
Sale corriendo, sin duda
Al escuchar mi tonada
Hago que se respete
La guitarra que cargo
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Vencí a un repentista
Que se decía muy grande
Cuando vio mi explosión
Salió corriendo en la pista
Olvidó la entrevista
Que para él fue agendada
Se perdió en la jornada
Cayó como un ciego
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

En el festival que entre
Hago la rima correcta
Y dudo que otro poeta
Logre ganar este festival
El cantador que me enfrente
Sale con la cara rota
Regresa al cabo de la azada
Todo poeta que atrapo
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Con el don que Dios me dio
En la profesión del repente
Ya he golpeado a mucha gente
Nadie nunca me ha golpeado
Para ser el rey del verso
No me falta nada
La cantoria es un camino
Por el que solo transito
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Ya he cantado en Alemania
En Australia y en Grecia
En Chile y en Suecia
En Japón y en España
En el país de Gran Bretaña
Hice más de una baionada
Poesía bien rimada
En cualquier país entrego
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

En los caminos del repente
No temo a la amenaza
Y ningún poeta pasa
Un palmo frente a mí
Repentista prepotente
Que siga mi jornada
Mientras no le dé una caída
No le doy descanso
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Quien a mi lado se siente
Con la guitarra sonora
Te aseguro que en media hora
No me aguanta
Sale torciendo la cara
Con la guitarra guardada
Y diciéndome: Compa
Eres fuerte, no lo niego!
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Mi nombre de contador
Está siempre en las principales
Páginas de los grandes diarios
De aquí y del exterior
Mi repente tiene valor
Y a todo el mundo agrada
Y es a esta bendita
Profesión a la que me aferro
En el repente soy clavo
Golpeado y punta volteada

Escrita por: Poeta J. Sousa