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Cerro Corá

Profanah

Cerro Corá

Sangue,
sinto o sangue escorrendo
na minha face
e criando uma poça.

Medo,
sinto o medo tomando
a minh'alma
e fazendo minha cabeça.

Dor,
a dor não é nada
eu tento esquece-la
mas ela sempre volta

Frio,
Imerso e sozinho
no desespero d'alma
no vazio que exalta.

Procurei, entender a vida.
Procurei não pensar na morte.
Segui as cartilhas e as regras,
e agora o que eu tenho? O que eu tenho?

Nada,
eu não tenho nada
nem o que comer
nem onde cair morto.

Morto,
eu tenho mais valor
pois essa carcaça
não paga nem o jornal

Perdido,
Eu procuro entender
o que foi que eu errei,
onde foi que eu errei?

Sozinho,
Passo mais uma noite
sentido frio sem vela
deitado na pedra.

Tentei consertar as besteiras,
mas já era tarde para tentar.
Agora sento, choro e olho...
Perguntando: quando tudo vai acabar?

Cerro Corá

Sangre,
siento la sangre escurriendo
por mi rostro
y formando un charco.

Miedo,
siento el miedo apoderándose
de mi alma
y nublando mi mente.

Dolor,
el dolor no es nada
trato de olvidarlo
pero siempre regresa.

Frío,
sumergido y solo
en la desesperación del alma
en el vacío que exalta.

Busqué entender la vida.
Intenté no pensar en la muerte.
Seguí las normas y reglas,
¿y ahora qué tengo? ¿Qué tengo?

Nada,
no tengo nada
ni qué comer
ni dónde caer muerto.

Muerto,
mi valor aumenta
porque este cascarón
ni siquiera paga el periódico.

Perdido,
busco comprender
dónde fallé,
¿en qué fallé?

Solo,
paso otra noche
sintiendo frío sin vela
tumbado en la piedra.

Intenté arreglar mis errores,
pero ya era tarde para intentarlo.
Ahora me siento, lloro y miro...
Preguntándome: ¿cuándo todo terminará?

Escrita por: Fábio Bianna / Tales Vasconcelos