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Farei Uma Cançãozinha, Vencut

Raimon de Miraval

Chansoneta Farai Vencut

Chansoneta farai, Vencut
Pus vos m'a rendut Rossilhos
E sapchatz que nos em cregut
Pus no vim vostres companhos
D'un drut novelh, don tota gens ressona
Que midons es a semblan de leona!
Ar sai que-s tocan las peiras d'Alzona
Pus premiers pot intrar selh que mais dona

E, si tot m'en ai joy avut
Er en vuel esser mons e blos
Quar no vuelh ab nom de cornut
Aver l'emperi dels grifos!
Autra n'am ieu que mais mi guazardona
Sos gens parlars, que s'autra m'abandona
Qu'enjanatz es qui fals'amor razona
E domna falh que-s recre per anona

Mas, s'ieu saupes qu'ilh fos leos
Ieu l'agr'avut caval ferran
Pus de lieys non es poderos
Homs, si non es d'aital semblan!
Avol soudad'a midons resseubuda
Quar per aver s'es de bon pretz moguda
Que, s'ieu saupes per aver fos venguda
Ma soudada ne pogr'aver avuda

E fera-l d'autres guiardos
Que-l pogran valer atrestan
Mas no s'azauta de chansos
Ans se va de mi rancuran
Que ditz que trop la vuelh levar en bruda
E no vol esser tan luenh mentauguda!
E valgra-l mais en perdos fos ma druda
Que sa falsa beutat agues venduda

A-n Baut deforas la coman
Que jamais no-i vuelh aver part
E non hi conosc autre dan
Mas quar en fis mon audiart
Ai fals escutz, tan leu vos laissatz fendre
Qu'om de part vos non auza colp atendre
Et ai vos o ben en cor a carvendre!
S'ie-us pugei aut, bas vos farai dissendre

Ai las e co muer deziran
Per la bella que ses mal art
Es, e tan fina ses enjan
Qu'anc non amet volpil bastart!
E, si-l sieu cors volgues el mieu entendre
Totz autres joys fora-n contra-l mieu mendre
E ja d'un bais, si-l me volgues estendre
No m'en feira tirar ni escoyssendre

Chanso, vai t'en a mon Plus Lial rendre
E diguas li qu'ieu sai dona a vendre

Farei Uma Cançãozinha, Vencut

Farei uma cançãozinha, Vencut
Pois vós me rendestes Rossilhão
E sabei que nisso confiamos erradamente
Já que não vi vossos companheiros
Por causa de um novo amante, de quem todos falam
Pois minha senhora se assemelha a uma leoa!
Agora sei que se tocam as pedras de Alsona
Pois o primeiro pode entrar é aquele que mais dá

E, se disso tudo tive alegria
Agora quero ser limpo e claro
Pois não quero, com nome de cornudo
Ter o império dos grifos!
Tenho outra que melhor me paga
Seu modo gentil de falar, mesmo que a outra me abandone
Pois enganado é quem fala de amor falso
E senhora falsa que se rende por trigo

Mas, se eu soubesse que ela fosse leal
Eu a teria tido como garanhão fogoso
Pois de outra forma não é poderoso
O homem, se não for de tal semelhança!
Má soldo recebeu minha senhora
Pois para ganhar algo afastou-se do bom valor
E se eu soubesse que ela viera por ganho
Nem esse soldo eu teria recebido

E fará outros favores
Que lhe poderão valer bastante
Mas não se eleva por canções
Antes se afasta de mim com rancor
Pois diz que eu a quero levá-la à devassidão
E não quer ser tão publicamente lembrada!
E valeria mais para ela, como perda, ser minha amada
Do que ter vendido sua falsa beleza

A Baut, de fora, ordeno
Que jamais quero ter parte nisso
E não conheço outro dano
Senão confiar em meu escudeiro
Tendes escudos falsos, tão facilmente se deixam rachar
Pois ninguém de lado ousa receber o golpe
E eu vos digo isto com o coração ardendo!
Se eu vos elevar, logo vos farei descer

Ai, cansado estou e morro de desejo
Pela bela que, sem má arte
É tão nobre e sem engano
Que nunca amou raposa bastarda!
E se seu corpo quisesse entender o meu
Todas as outras alegrias seriam menores que a minha
E com um só beijo, se ela quisesse conceder
Não me faria recuar nem hesitar

Canção, vai entregar-te ao meu Mais Leal
E diz-lhe que sei que uma dama está à venda

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