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Época

Ramon Gonçalves

Era

Era eu era inteiro e você mera interação
Era eu jardineiro e você era erosão
Deste lado era intenso e daí nem intenção
Presumi ser imenso e você nem fez menção

Para mim não tinha preço e você imprecisão
No limite do bom senso e eu só sensação
Eu quis o teu colo e você foi colisão
Eu lhe pedi socorro e você foi só corrosão, só corrosão

Eu não via nada contra, mas era contradição
E se no seu céu nada consta no meu, constelação
E aqui da terra firme, faço essa afirmação
O que vai regar teu solo é só a solidão

A princípio um bem súbito, mas foi subtração
Onde eu via êxito, havia hesitação
Pra você nada era nosso e eu sem noção
Eu nem aí pra quando, como e onde e você, condição

Nesse filme que a memória reprisa você é prisão
E justo quando se transpõe a divisa, se vê injusta a divisão
Eu tinha ideia fixa e era ficção
Minha entrega: Sem trégua, sua regra: Negação, só negação

Eu sei que nada lhe devo nem quero devolução
Recolho os retalhos, mas sem retaliação
Fique com sua soberba, beba o fel da afeição
Bem maior é sua perda, bem mais nobre o meu perdão

Época

Era yo estaba completo y tu mera interacción
Era yo jardinero y tú eras erosión
Por este lado era intenso y no había intención
Asumí que era enorme, y ni siquiera lo mencionaste

Para mí no tenía precio y que la inexactitud
En el borde del sentido común y me siento
Quería tu regazo y estabas en colisión
Te pedí ayuda y solo eras corrosión, solo corrosión

No vi nada en contra, pero era una contradicción
Y si en tu cielo no hay nada en mi constelación
Y aquí desde el continente, hago esta declaración
Lo que regar su suelo es solo la soledad

Al principio un bien repentino, pero era la resta
Donde vi el éxito, hubo vacilación
Para ti nada era nuestro y yo no tenía ni idea
No me importa cuándo, cómo y dónde y tú, condición

En esa película, la memoria se vuelve a la cárcel
Y justo cuando la moneda es transpuesta, la división es injusta
Tenía una idea fija y era ficción
Mi entrega: no hay tregua, tu regla: negación, solo negación

Sé que no te debo nada, no quiero una devolución
Recojo las aletas, pero no hay represalias
Toma tu orgullo, bebe la agallas del afecto
Mucho mayor es tu pérdida, mucho más noble mi perdón

Escrita por: Ramon Gonçalves