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Colonialismo

Rasec Pajé

Colonialismo

(Pô mano, vou ter que fazer essa parada acontecer, tá ligado?)
É o Pajé

A miséria não acaba é porque dá lucro
Mulheres estupradas a cada segundo
Um jovem negro na favela morre por minuto
Salvador não salva nada, eu vou ficar maluco

Invadiram nossas terras e roubaram os índios
Nomearam esse bagulho de colonialismo
Quando mais novo na escola sofri por racismo
Se fosse outro essa parada passava batido

Hoje reflito que na vida são poucos amigos
Lembro minha mãe minha avisando: Cuidado meu filho
Andei nas ruas mais letal do que um crocodilo
Já teve falso do meu lado se dizendo primo

Mas quando aperta eu sei já que são poucos
Bagulho é lento e o processo é louco
Me vi na reta mas sair do sufoco
Por isso que agora faço um som tão escroto

Dos que desacreditaram é que eu vou pra cima
Minha herança nesse mundo vai ser minha rima
E até depois da morte vai ser minha cina
Porque sempre vão julgar a minha melanina

Meu sonho memo é ver minha mãe despreocupada
Sem ter que fazer o corre só pra ter comida em casa
E que ela possa se orgulhar dessa parada
Porque a vida não é fácil pra uma família da quebrada

Então é isso mano, não vim pra passar pano
Quem vive a rua tá ligado no que eu tô falando
Sistema desumano, não valorizam arte
Se não tem ordem o progresso sempre chega tarde

Morreu mais um só que pra eles tanto faz
Nessa estatística sempre o pobre sofre mais
Seja esperto desatando os nós mentais
Correntes invisíveis contextos materiais

Tem gente olhando mas são poucos que estão vendo
Nesse guerra contra as drogas tá geral se corrompendo
Só na favela que eles entram combatendo, morre preto inocente isso me deixa no veneno

Quero inclusão pra quem não tem nem alimentação
Se eu fico rico eu vou fundar uma instituição, com o objetivo de ajudar quem não tem condição
Serei a luz em meio a toda essa escuridão

Então, an

Seja luz irmão
Seja a luz em meio a toda essa escuridão
Então, an
Seja a luz irmão
Seja a luz, seja a luz

Reestruturando socialmente me faço presente com umas rimas quentes e dialetos sempre coerentes
Se tá com pressa pode ir é só chegar na frente
Tudo que vemos já é nosso tá aqui pra gente

Tudo que vemos já é nosso então é só querer
Eu ouvi isso acreditei e fiz acontecer
Me lembro de juntar moedas pra poder comer
Eu tinha fome e meus amigos uma bike e TV

Vejo humanos discutindo por religião
Dentro da caixa estão fechados não vão ter visão
Enquanto alguém passando fome sem nem ter feijão
Vendo o pastor de carro novo pedir contribuição

Sou uma presença ou um espírito vagando aqui?
As flores falam só depende se tu quer ouvir
Conexão com a natureza já me inspira um free
Vai sem refrão e é assim que cês vão engolir

Colonialismo

(Oye hermano, tengo que hacer que esto suceda, ¿sabes?)
Es el Chamán

La miseria no se acaba porque da lucro
Mujeres violadas cada segundo
Un joven negro en la favela muere por minuto
Salvador no salva nada, me estoy volviendo loco

Invadieron nuestras tierras y robaron a los indígenas
Nombraron esta cosa colonialismo
Cuando era más joven en la escuela sufrí por racismo
Si fuera otro, esto pasaría desapercibido

Hoy reflexiono que en la vida son pocos amigos
Recuerdo a mi madre advirtiéndome: Cuidado, hijo mío
Caminé por calles más letales que un cocodrilo
Ya hubo falsos a mi lado diciendo que eran primos

Pero cuando aprieta, sé que son pocos
La cosa es lenta y el proceso es loco
Me vi en la línea, pero salí del apuro
Por eso ahora hago un sonido tan crudo

De los que no creyeron, es a los que voy a enfrentar
Mi herencia en este mundo será mi rima
Y hasta después de la muerte será mi destino
Porque siempre van a juzgar mi melanina

Mi sueño de verdad es ver a mi madre despreocupada
Sin tener que hacer el esfuerzo solo para tener comida en casa
Y que ella pueda sentirse orgullosa de esto
Porque la vida no es fácil para una familia de la quebrada

Así que eso es, hermano, no vine a suavizar
Quien vive en la calle sabe de lo que hablo
Sistema inhumano, no valoran el arte
Si no hay orden, el progreso siempre llega tarde

Murió uno más, pero a ellos no les importa
En esta estadística siempre el pobre sufre más
Sé astuto deshaciendo los nudos mentales
Cadenas invisibles, contextos materiales

Hay gente mirando, pero son pocos los que ven
En esta guerra contra las drogas, todos se están corrompiendo
Solo en la favela entran a combatir, muere un negro inocente y eso me envenena

Quiero inclusión para quienes no tienen ni alimentación
Si me hago rico, fundaré una institución, con el objetivo de ayudar a quienes no tienen condición
Seré la luz en medio de toda esta oscuridad

Entonces, an

Sé luz, hermano
Sé la luz en medio de toda esta oscuridad
Entonces, an
Sé la luz, hermano
Sé la luz, sé la luz

Reestructurando socialmente, me hago presente con unas rimas calientes y dialectos siempre coherentes
Si tienes prisa, puedes ir, solo llega primero
Todo lo que vemos ya es nuestro, está aquí para nosotros

Todo lo que vemos ya es nuestro, así que solo hay que querer
Escuché eso, creí y lo hice realidad
Recuerdo juntar monedas para poder comer
Tenía hambre y mis amigos una bicicleta y TV

Veo humanos discutiendo por religión
Dentro de la caja están cerrados, no tendrán visión
Mientras alguien pasa hambre sin ni siquiera tener frijoles
Viendo al pastor con carro nuevo pidiendo contribución

¿Soy una presencia o un espíritu vagando aquí?
Las flores hablan, solo depende de si quieres escuchar
Conexión con la naturaleza ya me inspira un free
Va sin estribillo y así es como lo van a tragar

Escrita por: Rasec Pajé