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Gaucho de São Borja

Raul Torres e Florencio

Gaucho de São Borja

Noite minha gente, eu cheguei na pagodeira
Sou gaúcho de São Borja só canto moda campeira
Vou cantar no meu estilo vocês queira ou não queira
Eu sou gaúcho largado carrego dependurado
O meu trinta carregado por cima da cartucheira

Eu gosto muito de baile, sou dançador de primeira
Tire o tapete da sala tire as mesas e as cadeiras
Porque quando eu bato o pé eu quero encontrar madeira
Se a dança for um rasqueado e o salão for encerado
Eu deixo tudo riscado e na espora levo cera

Sou gaúcho de São Borja fui nascido na fronteira
Escrevo meu nome a bala na tábua de uma porteira
Quando eu tiro meu revolver pra fazer uma brincadeira
Estas tábuas de peroba eu ponho elas em prova
Sendo destas tábuas novas faço elas virar peneira

Já desmanchei muitas festas já formei forrobodó
Eu nunca matei ninguém eu sou bom e tenho dó
No manejo de um revolver tenho fama de maior
Quando eu entro numa sala eu deixo tudo sem fala
Já botei quarenta balas todas num buraco só

Gaucho de São Borja

Noche, mi gente, llegué a la fiesta
de São Borja, soy un gaucho que solo canta música campera
Voy a cantar a mi manera, quieran o no quieran
Soy un gaucho desaliñado, llevo mi treinta colgado
sobre la cartuchera

Me encanta bailar, soy un bailarín de primera
Quita la alfombra de la sala, quita las mesas y las sillas
Porque cuando golpeo el pie, quiero encontrar madera
Si el baile es un rasqueado y el salón está encerado
Dejo todo marcado y con las espuelas llevo cera

Soy gaucho de São Borja, nací en la frontera
Escribo mi nombre a bala en la tabla de un portón
Cuando saco mi revólver para hacer una broma
Pongo a prueba esas tablas de peroba
Si son tablas nuevas, las hago colador

He desarmado muchas fiestas, he armado alboroto
Nunca he matado a nadie, soy bueno y tengo compasión
En el manejo de un revólver, tengo fama de ser el mejor
Cuando entro a una sala, dejo a todos sin palabras
He puesto cuarenta balas todas en un solo agujero

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