Na Pele da Raça
Eu venho do berço África
Trago lamentos e dores
Da escravidão covarde chicote ainda arde
Só mudaram os feitores
Eu venho la do quilombo
Da senzala, da favela
Por falar em igualdade, moro em sociedade
O pior, à margem dela
Eu venho descendo o morro
Sou malandro, pagodeiro
Se canto um partido alto
Burguês samba no asfalto
Mas não toca em meu pandeiro
Eu venho lá do terreiro
Da macumba, candomblé
Preto velho curandeiro
Zumbi, herói brasileiro
Será que o Brasil não quer
Será que o Brasil
Eu venho lá da Bahia, sou a tia benzedeira
Meu Senhor, peço que aceite
Fui sua mãe de leite, a babá e a parteira
Eu sou a tal Clementina
Meu sobrenome, Jesus
Mas se querem que eu revele
Por conta da cor da pele
Ainda carrego a cruz
Eu sou capoeira, batuque
Tambor de mina, bandoê
Festa de São Benedito, Olodum, carimbó
Boi Bumba e maculelê
Eu sou galinha d’angola, quilombola, zabelê
Canto samba o ano inteiro
Eu sou negro brasileiro
Eu sou eu e sou você
En la Piel de la Raza
Vengo de la cuna África
Traigo lamentos y dolores
Del cobarde esclavismo, el látigo aún arde
Solo cambiaron los capataces
Vengo de allá del quilombo
De la senzala, de la favela
Por hablar de igualdad, vivo en sociedad
Lo peor, al margen de ella
Vengo bajando del morro
Soy pillo, amante del pagode
Si canto un partido alto
El burgués samba en el asfalto
Pero no toca mi pandeiro
Vengo de allá del terreiro
De la macumba, candomblé
Preto velho curandero
Zumbi, héroe brasileño
Será que Brasil no quiere
Será que Brasil
Vengo de Bahía, soy la tía curandera
Mi Señor, pido que acepte
Fui su madre de leche, la niñera y la partera
Soy la tal Clementina
Mi apellido, Jesús
Pero si quieren que revele
Por causa del color de la piel
Aún cargo la cruz
Soy capoeira, batuque
Tambor de mina, bandoê
Fiesta de San Benedito, Olodum, carimbó
Boi Bumba y maculelê
Soy gallina de Angola, quilombola, zabelê
Canto samba todo el año
Soy negro brasileño
Soy yo y soy tú